O Grande Sonho
Ah! Insanidade vem-me silenciosa, rastejante melindrosa cobra vaga e invisível que, do indivisível breu, reaparece-me mostrando-me seu reflexo incerto, para me balançar, fazer-me ver o que lá não está em Lá. Ahhh! Insiste-me a sussurrar. Derramando fúria muda de seu veneno que não entendo, mas compreendo, graças, sem graça, de minha mágica incapacidade capaz de escutá-la. Ouvi-la ardorosamente. Apaixonadamente preso às minhas loucuras imaginadas.
Brilhantemente flagrada imaginação materializada no meu quieto credo, quando a vejo. Ahhh! Insiste-me a cortejar-me contando com meus medos mais profundos, mais sofridos e agudos em Mi. E que para mim, o que está sendo assim tão vanglorioso oposto de meus quereres tão intensos. Tensos. Pasmos auditivos incompreensíveis a uma mente sã. Longe de meus desejos a vejo tomar forma fora de minha mente, alimentada por ela mesma; esta lesma escura oriunda de minhas fobias.
Fraturo meus conhecimentos e minhas interjeições. Trinco minhas libras emotivas.
Rasgar-me-ia com todo efeito, se isso me refizesse. Meus olhos já não me dão certezas.
Ah! Demência aparece-me surpreendente e ajuda-me manter-me vivo. Compreendido compreensível. Auxilia-me a viver dentro desta caixa sem fronteira para a loucura. Que cura a alma mais saudável graças a psicose.
Tenha dó de minha alma. Tenha dó em Dó. Ohhh! Limpa-me a poeira e a fuligem das juntas imundas, corrompidas por mim mesmo. Respeita-me a impotência de fugir da demência a mim conflagrada nesta grande piada divina. Influi-me opção nesta imensidão fantasmagórica da qual se disfarça a vida. Joga-me insensibilidade para suportar a hostilidade que minha alma impõe-me sem misericórdia.
O mundo me é são, mas somente, quando eu não estou. Louco, quando de não doido, me disfarço. Primeiro ao último ato. Bem alto em Ré. Ééééé! De ré olhando-me o passado como se lá, em Lá, pudesse eu encontrar respostas para meu futuro, se o futuro fosse assim, fácil de encontrar. Oh! Loucura astuta e rastejante errante.
Ah! Sim, em Si, se pudesse ser assim. Só o Sol, em Sol, urra para a eternidade que ri. Ihihihih! De mim... Enquanto doente fico tentando ficar saudável. Enquanto choro tentando sorrir. Enquanto trabalho tentando dormir. Enquanto falho tentando acertar... Acertar a calda da serpente louca e perigosa da verdade.
Verdade esta que desconheço por ser parte da mentira.
Mentira esta sendo a grande verdade da estúpida imperícia.
Faria melhor farsa se, sem disfarce, me destinasse tal máscara.
Em Fá. Ahhhh! Grita a insanidade perdendo força contra a escuridão de minha ignorante razão. São pensamento aparece-me tornando-me vão para a única escapatória deste mundo labiríntico.
E mais uma vez a mentira prevalece. Mais fácil de ser ‘entendida’, se tal palavra é a melhor alternativa de um possível adjetivo para isso. Sinto-me a matéria adormecer. Sinto meus dedos prenderem-se nas mãos. Sinto minha alma congelar-se dentro de minhas veias quentes. Sinto.
Ah! Loucura que me reaparece todos os dias quando volto a dormir. Meus olhos se abrem, os sons do mundo me chegam... Minha cabeça dói sonolenta enquanto suspiro profundamente e reconheço aquela canção infantil cantarolada por aquelas almas lá fora... Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si...
E me levanto de meu leito.
Torno a fazer parte do sonho comunitário. Um mundo intolerante e aterrorizador na maioria das vezes. Onde não só os desejos dos bons tomam forma, como os dos perversos ganham força. Onde não somos nada além de uma insignificante voz sem personagem e peso, onde somos esquecidos por nós mesmos diante das pavorosas insanidades dos demais... E da reação de nossas próprias por estas condições.
Mas me acalmo, pois estou louco como todos, e voltarei a descansar a noite, no mundo real. Com paz e segurança, sobriedade e lucidez. Onde apenas o meu universo existe.
Suzo Bianco
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