Sobre esse Diário


*Esse Blog é destinado àqueles que sentem o mundo “invisível”.
*Esse Blog é um diário de um homem comum que se permite pensar sem se importar com o persistente sistema de referência que poderia impedir o verdadeiro pensamento livre.
*Esse Blog tentará ligar o comum ao incomum, tentará desmistificar o místico, sem que este perca seu teor maravilhoso.
*Esse Blog não tem a intenção de esclarecer, mas de fazer pensar; com isso, tornar possível o ato do ‘questionar o aparentemente óbvio’.
*Esse Blog é um conjunto de textos e imagens variadas com o intuito de ilustrar uma idéia mais intrínseca no que se refere à existência. Contudo não é a intenção do autor ter a prepotência de afirmar definitivamente nada que corresponda a tudo que possa se referir ao ato de existir, viver, pensar ou crer. A intenção é unicamente divagar sobre esses mesmos temas, de modo que se possa levar ao ‘pensar livre’.
*Cada texto e ilustração aqui postados são de autoria de Suzo Bianco, e tem o intuito de relacionar ou expressar conceitos do que é denominado ‘mundo invisível’. Mundo invisível, nesse caso, é a realidade primária, aquela que é confundida com o que ‘não existe’ ou ‘fantástico’. Trata-se, no entanto, de perspectiva diferenciada. “Ver brilhos nas folhas, ao invés de ‘apenas’ orvalhos.” Mesmo sabendo do que são feitos ou como são formados.
...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Imagem

Título: A Pequenina Lunática
D.: 80x80 (dimensão circular)
Técnica: Pastel sobre MDF
Autor: Suzo Bianco



  

Imagem

Título: Clara na Clareira
Dimensões: ~ 90x90 cm
Autor: Suzo Bianco
Técnica: Pastel sobre placa de MDF


 .

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Diálogo

A Conversa
 
A Estrela disse ao Sol:

Quando não se tem ninguém
Pra quem agente chora?
Quando nos calam
Quando nos falam
Pra quem agente implora?
Quando não se tem moeda
Pra quem agente pede?
Quando nos calam
Quando nos falam
Pra quem agente sede?

E o Sol disse para a Estrela:

Pra que agente chora
Quando não se tem ninguém?
Pra nos calar?
Pra nos falar?
Quando agente faz também?
Pra que agente pede
Quando não se tem moedas?
Pra nos calar?
Pra nos falar?
Quando agente tem goelas?

A Estrela então falou:

Pra que nos apontam
Se brilhamos tão bem?
Pra nos rirem?
Pra nos virem?
Estão-se sozinhos também?
Chegue mais longe
E os ensinará...

O Sol então respondeu:

Porque brilhamos tão bem
Se não podem nos apontar?
Pra nos rirem.
Pra nos virem.
Estão-se sozinhos também!
Chegue mais perto
E os entenderá...



suzo bianco

Lamento de um escravo ( Vida de Boi Marcado )

É tão lento andar por essa terra.
Passo descalço, dislexo...
Desacreditado por verdades mentirosas que não lubrificam minhas algemas.
É insosso caminhar com rumo.
Rumo de boi cercado. Desacreditado.
Passo pesado e vagaroso.
O Sol lá encima arde-me cá embaixo. Cabisbaixo rumo meu ruminante rumo de boi comestível.
Desacelerado por mim mesmo.
Sem pressa. Sem peso.
É tão lento andar por essa terra.
Calado e falante sem ouvinte...
Manipulado por mãos invisíveis e agourentas que não acariciam minha carne.
Insossa, caminhada com rumo.
Rumo de gado calado. Quieto e jurado.
Mas vem-me a fome. E de chão a alimento torna-se e entendo.
Pasto.
Eu pasto.
Terra.
Eu terra.
Um dia. Entedio-me.
E enterro-me.

suzo bianco

Tradução do ? para o Português

“...borbulhar barulhento do riacho violento, embrenhado bem no mato, flores foscas meios as robustas ostras, meio abertas, e sem pérolas, não calam o vento, que alentado, trás mais sons e cantos oriundos dos seres mágicos, sedutores, do coração do bosque verde do Dono Fauno encantado...”

 

Primeiro sopro ouviu-se:

“Querem tema para o poema.
Poesia temática matemática...
Poema não tem nenhum tema
Nem solução ou problemática...
Temática
Cartesiana
Poética!
Poetizando mecânica ela só tenta,
Sem conseguir fato, dizendo nada!”


Segundo pipilar distinguiu-se:

“...morri de medo quando nasci e chorei calado as minhas angústias, mas meu calor foi-me cobrado e meus pulmões ganharam ar nas alturas...
Eh...
Foi assim que aprendi a voar.”


Terceiro ronronar escutou-se:

“Meus olhos já não reconhecem nada...
Meus olhos só conseguem ver o Sol.
Refletido em cada coisa ao meu redor,
Enquanto à noite tenho somente a versão iluminada da Lua.
Permaneço-me cego.
No útero da Terra...
Vagante errante, desde cedo, nessa mística caminhada eterna...”


Quarto áspero chiado...:

“Faço poema difícil
No difícil fazer do fato
Fazendo-o por puro vício
O difícil é fazê-lo fácil!”


Quinto sinal metálico, do sino, veio:

“Você esnoba quem lhe gosta em segredo?”



suzo bianco

Conto: Fábula

A Cotia que Se Perdeu
 

Um dia uma cotia, no bosque, se perdeu.
Como pode bicho do mato, no mato, se perder?

Porém nesse dia, não só a cotia, como todo animal na mata se estranhou.
Algo que foi curiosidade para toda fauna, a própria fauna que não se entendia...
Ainda assim o Sol podia ser visto. Mesmo que em forma de inúmeros e tímidos raios que invadiam a mata até os arbustos lá embaixo. Onde bichos de todos os tipos se enxergaram diferentes.
Cada abelha, cada zangão, cada inseto voador, ou até mesmo aqueles, que seguiam compenetrados, vagando pelo o chão.
O cervo, o macaco, todas as lebres e coelhos, também lobos e gatos.
O jacaré esqueceu-se olhando para outros jacarés.
A cotovia admirou outras aves.
E o esquilo sorriu a outros escaladores.
Todo roedor estranhou roer.
Todo sapo coaxou esquisito.
E a cotia continuava perdida.
Perdida em seu bosque.
A procura de sua casa andava e caminhava.
Seguia a trilha meio a mata.
Andou e não parou até chegar à margem de um riacho, que serpenteava dentro do mato, vinda cachoeira rio abaixo...

Ali parou e na água límpida se olhou. Viu sua imagem modificada no movimento do riacho e se aquietou.

Um sabiá lhe assoviou e balançando as asas lhe cantou:

- Vá cotia, passe! Atravesse a correnteza, se não pudesse a coitada, não teria essa certeza!

A cotia então falou:

- Mas não tenho essa certeza e nem sei pra onde vou, fico aqui embasbacada ou sigo o rumo que cantou?

O passarinho então voou para longe da clareira, onde o riacho navegava-se, desviando-se de bobeira.

A cotia em fim suspirou convencendo-se capaz. E num pulo forte atravessou o caldo forte do riacho.

Doutro lado admirou-se tão valente e destemida, mesmo ali no bosque, mas solitária, andando bem perdida ainda.

Caminhou mais um pouco, subindo um morro entre as plantas. E viu libélulas avermelhadas... E camufladas eram as antas. Foi, foi e foi, até chegar rente ao barranco, que terminava o morro doutro lado, bem além do esperado.

Ali se estancou admirada. À sua frente bem ao longe podia ver outra montanha, tão verde e calma como aguardava, igualzinho como a Fada canta.

- Se não é pra lá que vou, bem pertinho do céu, lá no alto da montanha, onde as abelhas fazem mel. Que felicidade a minha insistir no meu caminho desencontrado, me levando ao meu destino, seguido passo a passo.

Então a cotia se reconheceu paciente de sua natureza, bicho feito e aperfeiçoado de ser ela mesma tão perfeita. A estranheza apenas estava no reconhecer-se desconhecido. Seria sempre tão bem admirada a ignorância do esclarecido?

Foi pensando nisso que todo animal voltou a ser o que era. Sem deixar de ser um momento, o que de veras veneravam. Parte nomeada do desconhecido, bicho entre bichos que lhe cercavam. Pois era, todos juntos, só um bicho, que às vezes se perdia na floresta encantada.

 
 
suzo bianco

Enigma texto: (...e foi dito que aquele - esse - texto havia sido escrito há muitos anos adiante, mas só muito tempo depois compreendi...)

Alarguei-me ao mundo. Hoje. Sou profundo.
Mergulho em fotografias de pessoas d’outro mundo...
Mundos longes de meu corpo, mas corpos de verdades,
Não combinam com meu gosto, nem conheço a lealdade.
Assisto-me assustado de contar-me todo e tudo.
Acesso, solitário, do meu quarto o passado e o futuro...
Quando éramos por todo lado desconhecidos e soturnos,
Quando éramos um só soldado e morríamos todo mundo...
Suzo Bianco

Poema e Enigma: Quem existe em/por quem?

Ande em mim.
Mas devagar.
Se não, não me entende!
Não me compreenderá...
Passe por mim atentamente
Olha pra mim... Lentamente.
Com calma e cuidado.
Com olhar adivinhador.
Compenetrado...
Devagar comigo...
E contigo.
Contudo leia-me sem pudor,
Mas respeite o que eu falo...
Pois te sou apenas poema
E tu testemunha do meu traço...

suzo bianco

Poema

Nuvens da Minha Imaginação...


Ah! São as nuvens todas iguais... Sendo todas, formas do que penso.
Nuvens, pra mim, são todas você...
Voadora onisciente de céu suspenso.

Hm! São as nuvens parte de mim...? Flutuantes todas de água no vento.
Onde lhe formo de corpo e rosto...
Amada e presente no meu pensamento.


suzo bianco

Anotação 02: Os Entes Encantados

Duendes, fadas e outros seres “mágicos”:
Alusão aos tipos diferentes de viventes do mundo. Isso pode incluir desde o(s) humano(s) e sua variada gama de personagens, como animais, plantas e outras formas de vida. Todas possuidoras de consciente divino, isto é, formas diferentes de manifestação inteligente do cosmo aqui na Terra. São usadas essas nomenclaturas para homenagear as antigas lendas e ao mesmo tempo justificá-las da maneira mais lógica possível. Também serve de crítica a maneira displicente dos humanos se julgarem únicas formas inteligentes do planeta. Algo que pessoalmente não acredito. Pra mim, e pra muitos, cada ser tem seu grau de percepção e contenção de sabedoria cósmica. Ninguém é mais ou menos que ninguém, o que muda é a forma e o tipo, não a importância. E quando digo alguém, ou ninguém, digo me referindo a ‘todos nós viventes da Terra’.
"Uma abelha é alguém, e vive em seu/nosso mundo, tanto quanto..."

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Anotação 01: sobre 'Cores'

As Cores: Poderia dizer mais sobre isso, porém tenho que me conter no foco desse Blog. É bem possível que a maioria saiba muito sobre (a) Luz. Ou a famosa luz solar que a todos nós ilumina. A bem conhecida luminosidade solar quase totalmente invisível (e só não o é completamente, porque podemos enxergar ou reconhecer uma minúscula fração, que chamamos de espectro luminoso. Ou ainda, as sete cores). Violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho (e seus tons), o branco luz é a junção delas e o negro a ausência. Esta pequena faixa reconhecível da luz solar nos dá a possibilidade de, quando refletidas pela matéria ao nosso redor e bem captadas pelo nosso sistema ocular, ver. Bem... Ver aquilo que nossa mente consegue perceber e conceber, mas isso seria outra história... Embora possa parecer apenas 'bonito', o uso das cores sobre o fundo negro em alguns 'posts' desse Blog metaforiza a habilidade de nossa mente conceber formas e formular informações, por mais que pareçam de início desconexas, usando apenas uma limitada informação luminosa (de cores), ou noção divina (interpretação dos reflexos), ou dê-se o nome que quiserem a essa condição... O importante é que a verdadeira informação sempre nos parece oculta... O que vemos é sempre uma pequena parcela do que, de fato, pode existir no Universo ao nosso redor, em todos os sentidos.
O que enxergamos é a junção de: Reflexo da matéria, sendo esse reflexo relativo à capacidade ocular do observador; Interpretação simbólica, ou seja, a informação que temos sobre o observado, o que significa; Interpretação intrínseca, aquilo que julgamos ser o observado, independente das informações que já temos a respeito do objeto de observação; Nome, a informação contida no nome/nomeação daquilo que é observado, levando em conta que a variação desse entendimento é proporcional ao quanto se sabe sobre o significado do nome. Ex.: Saber que tal coisa chama-se ‘pedra’ não necessariamente leva-se a crer que se saiba o que é.

Jocelyn Pook- Dionysus

Jocelyn Pook- Dionysus



Caso não esteja sendo possível a visualização, clique no primeiro link para ouvir a música de Jocelyn Pook.
Sobre essa compositora: http://www.jocelynpook.com/

Poema sobre a luta aparentemente infrutífera

PÉTALAS AO SOL
 
Pétalas pálidas, aqui?
Turvam-me flutuantes,
Todas girando perante
Ao Sol que laico nasci.
...
Pálpebras fracas eu vi?
Pareciam todas cansadas,
E choravam desanimadas
Pelas lutas lá entre si.
...
Póstumas eu logo senti...
Lotam-me pulso pelado,
Cortam-me dados pedaços
Carne fraca qual eu servi.
...
Posso eu fora daqui?
Me-creditaria o pudor,
Aprendiz sem um tutor
Se me deixasse feliz...
...
Pétalas palco as bati...
E de leito nelas deitei,
Deste lento acostumei
Minha falsa soneca atriz.
...
Pelo meu sonho morri?
Pois, não me lembro assim,
Lutei, minha luta, e vivi
Ao Sol que laico nasci.


Suzo Bianco
desenho sobre a 'precaução' e 'esperança'

Texto sobre a existência geral. Onde o real é o que se dá eterno, o si mesmo ciente, o irreal seria a mortalidade...

O Grande Sonho


Ah! Insanidade vem-me silenciosa, rastejante melindrosa cobra vaga e invisível que, do indivisível breu, reaparece-me mostrando-me seu reflexo incerto, para me balançar, fazer-me ver o que lá não está em Lá. Ahhh! Insiste-me a sussurrar. Derramando fúria muda de seu veneno que não entendo, mas compreendo, graças, sem graça, de minha mágica incapacidade capaz de escutá-la. Ouvi-la ardorosamente. Apaixonadamente preso às minhas loucuras imaginadas.

Brilhantemente flagrada imaginação materializada no meu quieto credo, quando a vejo. Ahhh! Insiste-me a cortejar-me contando com meus medos mais profundos, mais sofridos e agudos em Mi. E que para mim, o que está sendo assim tão vanglorioso oposto de meus quereres tão intensos. Tensos. Pasmos auditivos incompreensíveis a uma mente sã. Longe de meus desejos a vejo tomar forma fora de minha mente, alimentada por ela mesma; esta lesma escura oriunda de minhas fobias.

Fraturo meus conhecimentos e minhas interjeições. Trinco minhas libras emotivas.

Rasgar-me-ia com todo efeito, se isso me refizesse. Meus olhos já não me dão certezas.

Ah! Demência aparece-me surpreendente e ajuda-me manter-me vivo. Compreendido compreensível. Auxilia-me a viver dentro desta caixa sem fronteira para a loucura. Que cura a alma mais saudável graças a psicose.

Tenha dó de minha alma. Tenha dó em Dó. Ohhh! Limpa-me a poeira e a fuligem das juntas imundas, corrompidas por mim mesmo. Respeita-me a impotência de fugir da demência a mim conflagrada nesta grande piada divina. Influi-me opção nesta imensidão fantasmagórica da qual se disfarça a vida. Joga-me insensibilidade para suportar a hostilidade que minha alma impõe-me sem misericórdia.

O mundo me é são, mas somente, quando eu não estou. Louco, quando de não doido, me disfarço. Primeiro ao último ato. Bem alto em Ré. Ééééé! De ré olhando-me o passado como se lá, em Lá, pudesse eu encontrar respostas para meu futuro, se o futuro fosse assim, fácil de encontrar. Oh! Loucura astuta e rastejante errante.

Ah! Sim, em Si, se pudesse ser assim. Só o Sol, em Sol, urra para a eternidade que ri. Ihihihih! De mim... Enquanto doente fico tentando ficar saudável. Enquanto choro tentando sorrir. Enquanto trabalho tentando dormir. Enquanto falho tentando acertar... Acertar a calda da serpente louca e perigosa da verdade.

Verdade esta que desconheço por ser parte da mentira.

Mentira esta sendo a grande verdade da estúpida imperícia.

Faria melhor farsa se, sem disfarce, me destinasse tal máscara.

Em Fá. Ahhhh! Grita a insanidade perdendo força contra a escuridão de minha ignorante razão. São pensamento aparece-me tornando-me vão para a única escapatória deste mundo labiríntico.

E mais uma vez a mentira prevalece. Mais fácil de ser ‘entendida’, se tal palavra é a melhor alternativa de um possível adjetivo para isso. Sinto-me a matéria adormecer. Sinto meus dedos prenderem-se nas mãos. Sinto minha alma congelar-se dentro de minhas veias quentes. Sinto.

Ah! Loucura que me reaparece todos os dias quando volto a dormir. Meus olhos se abrem, os sons do mundo me chegam... Minha cabeça dói sonolenta enquanto suspiro profundamente e reconheço aquela canção infantil cantarolada por aquelas almas lá fora... Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si...

E me levanto de meu leito.

Torno a fazer parte do sonho comunitário. Um mundo intolerante e aterrorizador na maioria das vezes. Onde não só os desejos dos bons tomam forma, como os dos perversos ganham força. Onde não somos nada além de uma insignificante voz sem personagem e peso, onde somos esquecidos por nós mesmos diante das pavorosas insanidades dos demais... E da reação de nossas próprias por estas condições.

Mas me acalmo, pois estou louco como todos, e voltarei a descansar a noite, no mundo real. Com paz e segurança, sobriedade e lucidez. Onde apenas o meu universo existe.


Suzo Bianco

Texto sobre a percepção do ser ao notar a si mesmo, como unidade e como parte de um organismo único.

Oceano Profundo ( onde oceana-se nós mesmos )


“Num oceano de mim mesmo pude mergulhar até o fundo, seguindo-me, olhando-me...
E na mais profunda e densa imersão eu vi, mergulhados e assustados, meus olhos...
Olhando-me.
Num ímpeto repentino desesperado, eu inundado até os ossos, segui-me e vigiei-me.
Percebendo outros eus, mergulhados e assustados, outros olhos que estavam fitando-me... Fitando-me...
No fundo, desse mais fundo, profundo, mergulhados num abismo, meus olhos... Olhavam-me... Molhavam-me... Mergulhavam-me... Vendo-me, fitando-me fitando-os assustados... Em mim.
Oh. Quantos olhos eu podia ver, quantas vistas eu podia ser, em quantas brisas podia me ir sem que eu deixasse de estar mergulhado, bem no fundo, daquele oceano abissal, colossal, infernal... Que me olhava.
Num oceano de mim mesmo eu pude me ver até o fundo, chorando-me, rindo-me, crescendo-me e perdendo-me para outros olhos que me choravam, riam-me, cresciam-me e perdiam-me, novamente, para mim mesmo.
Oh. Quantos eus eu podia ser, quantas missas podia ter, em quantas brisas podia ficar-me sem deixar-me permanecer...  Mergulhado bem no fundo daquele oceano, admirável, encantado, celestial... Que me vigiava.
Num encarar de mim mesmo, vi outros olhos, outras faces, outros rostos, outros modos, que há muitas eras se dividiram em outros e em diferentes olhares que choravam, riam, cresciam e também se perdiam, novamente, para eles mesmos.
Percebiam outros eles, mergulhados e assustados, outros olhos que estavam fitando-se... Findando-se magoados de terem sido tão desleixados em não se terem percebidos até então, mergulhados neles mesmos, ao meu lado. Onde profundamente me fitavam assustados, lendo eles mesmos enquanto liam sobre mim. Ouviam-se enquanto me ouviam falando sobre eu mesmo, eles percebiam-se olhando outro, enquanto se olhavam ao fitarem o que pensavam sobre mim... E descobriam-se parte de um oceano profundo, onde olhos se olhavam, onde eu me via neles e eles se viam em mim.
Oh... Quantas lágrimas eu chorei por aqueles olhos, esses olhos, meus olhos... Só. Quantas lágrimas... Quantas lágrimas... Tantas que entendi do que eram feitos os olhos, o oceano, que desesperado e perturbado, naquele momento, me perdi...”


Suzo Bianco

Poema sobre o Trabalho de "Pesquisa"

Sem Originalidade


Cada letra é cópia
Remedo remédio
Repetindo
Nada original...
Imitando...
Ressoando
...e ribombando.
Estalando significado
Codificando idéias
...expressando atos.
Cada som significando a vontade, à vontade...
Desse modo de que servem as letras
Se tudo que quero dizer,
Para mim e para outros,
                                                  ...é novidade...
?



s.bianco

Texto sobre a visão e entendimento do que nos cerca.

O Calidoscópio Encantado
 
   É ainda bem estranho refletir sobre os tempos, como se os mesmos não fluíssem a minha volta, como uivos invisíveis soprados por algo que desconheço, e não obstante, faço parte. É mesmo assim esquisito não querer outra coisa além de saber o que é... Para ver se os gatos dos meus sonhos só existem lá... Famintos andarilhos que me observam atentos, como se eu fizesse parte daquele mundo indistinto. Não diferente daqui...
   Aonde insetos luminosos desconhecidos voam e flutuam rente a luz eterna da perpétua alvorada.
   Mas quando nasci o mundo todo era pra mim um calidoscópio encantado. Quanto mais o mexia e o tentava tocar, mais ele se misturava em si mesmo e se diferenciava aos meus olhos ingênuos e atentos... Ainda hoje é assim.
   É como se fosse um eterno acordar de um sonho estranho onde tento constantemente entendê-lo, enquanto o tempo voa a minha volta soando-me como uivo soprado por algo que desconheço. E também o canto à parte.
   É ainda bem esquisito não ser diferente de todos ao meu redor, que adormecidos caminham rumo ao ignorado fato que junto tememos tanto... A luz eterna da perpétua alvorada.
   Mas enquanto crescia eu descobria os nomes das inúmeras manchas do calidoscópio mágico, suas regras, seus sons, suas metas e seus sonhos... E mesmo que eu fosse um adormecido observador, eu também, daquilo tudo, fazia parte. À parte.
   Aonde peixes voadores expelidos pela boca grande do oceano de loucuras alcançavam o céu. O mesmo mundo que me abrasa com a solidão, e eu imerso dentre tanta solidez.
Agora eu entendo...
Não entendo nada.
Perfeitamente nada.
Como o mundo todo entende... Que pra se acontecer no fundo desse oceano louco, bastamos ser como aqueles peixes voadores dos meus sonhos, não nos é preciso entender absolutamente nada...


Suzo Bianco

Poema sobre Auto-imagem

Perplexo Reflexo

Reflexo perplexo
Complexo
Reflete-se ego
Convexo
Sem nexo
Espelho que vejo
Não me vejo
O reflexo...
Eu o vejo
Eu me vejo
Sou côncavo?
Sou reflexo?
Reflito...
Reflete-me o ego?
Refluxo terno
Reflito sobre meu reflexo
O espelho não me reflete
Ele não reflete
Sobre o que reflito
E sou o que reflito
Mais que meu reflexo
Sem nexo
Complexo
Convexo
Ao qual agora converso
Em verso
Avesso
Ao inverso pretexto
De ser previsto
Refletido
Reflexo
Do qual sou incapaz
De me refletir
De refletir...
Por inteiro
Completo...



Suzo Bianco

Avatar de 3/02/2012

Referência a Pan:
ver em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A3_(mitologia)

Poema
_________________________________

Depois do Outono


E na verdade sinto
Que nunca mais voltou.
Nem depois do outono
Que caiu...
Após os suspiros
Que nem me lembro mais se um dia existiram.
Varreram-se as ruas,
As folhas...

A correnteza ficou,
A azulada versão do mundo
Junto...
Debaixo do travesseiro.
Onde as luzes do carnaval
Gotejam diante dos meus olhos...

Mas se esse sonho pudesse-se melhor
Eu não sentiria as asas da amarga ventania a me sacudir,
De onde tento me excluir
Esquecendo minhas lembranças...

Mas na verdade sinto que nunca mais voltou.
Nem depois do outono
Que caiu...
Após os suspiros
Que nem me lembro mais se um dia existiram.

Hoje as nuvens me cegam
Meus pés me levitam
Meu corpo se rende à imaginação...
À azulada versão do mundo

Juro... Acima da minha terra
Onde não há tenda nem mágicos
Não há palmas nem magos
Nem músicas de realejos encantados

Nem pássaros enigmáticos

Após aqueles antigos suspiros
Não houve mais nada...
E na verdade apenas sinto que nada mais voltou.
Nem depois do outono
Que caiu...
Após os suspiros
Que nem me lembro mais se um dia existiram...



suzo bianco