Sobre esse Diário


*Esse Blog é destinado àqueles que sentem o mundo “invisível”.
*Esse Blog é um diário de um homem comum que se permite pensar sem se importar com o persistente sistema de referência que poderia impedir o verdadeiro pensamento livre.
*Esse Blog tentará ligar o comum ao incomum, tentará desmistificar o místico, sem que este perca seu teor maravilhoso.
*Esse Blog não tem a intenção de esclarecer, mas de fazer pensar; com isso, tornar possível o ato do ‘questionar o aparentemente óbvio’.
*Esse Blog é um conjunto de textos e imagens variadas com o intuito de ilustrar uma idéia mais intrínseca no que se refere à existência. Contudo não é a intenção do autor ter a prepotência de afirmar definitivamente nada que corresponda a tudo que possa se referir ao ato de existir, viver, pensar ou crer. A intenção é unicamente divagar sobre esses mesmos temas, de modo que se possa levar ao ‘pensar livre’.
*Cada texto e ilustração aqui postados são de autoria de Suzo Bianco, e tem o intuito de relacionar ou expressar conceitos do que é denominado ‘mundo invisível’. Mundo invisível, nesse caso, é a realidade primária, aquela que é confundida com o que ‘não existe’ ou ‘fantástico’. Trata-se, no entanto, de perspectiva diferenciada. “Ver brilhos nas folhas, ao invés de ‘apenas’ orvalhos.” Mesmo sabendo do que são feitos ou como são formados.
...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Olá, para postar mais...
Links para download de boas histórias...

Abraços a todos e boa leitura
Atenciosamente
Suzo Bianco

Sinopse:

Como um ser mágico entenderia, sentiria ou interagiria com nosso mundo? Quais segredos ele revelaria sobre nós e sobre si mesmo? Que enigmas tais cartas apresentariam para um mundo onde a matéria é tão valorizada? OS ESTRANHOS POEMAS DO SR. RUMPEL É uma coletânea de poemas e ensaios hipoteticamente escritos por um duende disposta como diário, onde a ficção e a realidade se fundem de maneira ‘fantástica’. 



Sinopse:

Lucas e Luiz sãos dois velhinhos, que junto a outros pacientes, vivem na Casa de Fátima para Idosos, reféns da perversidade e maldade de Jonathan, o responsável geral do asilo. Contudo, a esperança de uma revanche chega com a aparição de Dimas, um pequeno gato negro com uma estranha e fantástica capacidade mágica... Coisas extraordinárias mudariam para sempre a vida de todos naquele lugar... Literatura Fantástica Leitura aconselhável para maiores de 13 anos. 



Sinopse:

 Jaílton é um homem simples que tem a chance de trabalhar para pagar suas dívidas, contudo o emprego é num cemitério, algo que para ele é motivo de pavor. Mesmo assim, nada poderia prepará-lo para o que estava por acontecer assim que começasse seu turno como zelador do sinistro lugar. Tipo: Conto Gênero: Humor/terror Leitura: Livre 


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sábado, 14 de abril de 2012

Imagens: O Abstrato Figurado e o Figurado Abstrato

Azul

Sonham Conosco


"Há figuras que compreendemos apenas quando sonhamos, porque apenas sonhando podemos percebê-las. E elas a nós.
Há imagens que só enxergamos somente quando acordamos, porque somente acordados podemos entendê-las. E nelas, nós.
Há figuras abstratas e abstratas figuras, e apenas se formam em nossa mente, em nossa imaginação, que sempre imaginada foi/é/será como quer a compreensão.
Como desenhar ou escrever isso então?"S.B

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Série: As Cartas

CARTA 09

Dia de ar seco pós-pó de qualquer terra. Sob teto da Torre que quer crescer, mas não pode. Terra Baixa.

À minha eterna amada Fada, mais uma vez.

  Quem me dera, agora, tivesse lhe enviando notícias boas sobre minha saga, desde já lhe confesso insatisfação com as necessárias palavras que lhe envio. Quero compartilhar contigo pensamentos nebulosos que me assombram nestes tempos recentes, desta minha louca sanidade...
  Como bem pode conceber, a força mágica vem diminuindo com o passar dos dias, imagino que tenha ligação direta com a destruição das fontes sagradas. Que Gaia esteja doente, não é novidade, mas estou começando a perceber que minha energia tem relação com a mesma força... Isto é, Gaia chora, e eu sinto. Não sozinho, claro, mas estou de aviso.
  O ar segue seco e venenoso, a água sem os sais...
  Poderia lhe falar sobre tudo que está ocorrendo por estas paragens, mas seria desnecessário, pois já é de conhecimento geral a doença da terra. O que quero de fato relatar é sobre uma carta que, me vendo obrigado, enviei para o Obscuro.
  Ele me mandou um bilhete desorientador... Acho que bem sabe qual me refiro.
  Então, escrevi de próprio punho - usando de tinta viva, de acordo com as normas de proteção mágica – uma carta de resposta. Envelopei-a com papel de madeira vermelha e selei com cera de prata. Joguei no bueiro mais profundo que pude encontrar sem ninguém como testemunha, como reza a regra.
  Agora, que o que escrevi tenha efeito...
  Abaixo segue cópia do texto endereçado ao Obscuro, para que minha amada possa servir de avisada e averiguar meus intentos:

“Ao jorrado desaforado aproveitador das mentiras tortas da crosta morta. Segue-lhe ingratamente o presente afeto recíproco de injurias suas. Palavras foram-me endereçadas com propósitos tuberculosos, fumacentas e nebulosas, sujas de risadas ásperas provavelmente remanescentes de quando foram riscadas. Então para sua entidade sombria e desumana, aponto-lhe estes crentes traços codificados.
Nunca terá força contra ouvidos atentos e mente aberta, nunca seu veneno terá efeito contra o sangue em mim verdadeiro. Entre as sementes de intento fantástico, mora-me a verdade, entre os erros de meus defeitos, fala-me a cicatriz da aprendizagem. Seu poder está na retórica aprendida e sustentada apenas na habilidade de proteger suas mentiras e enganos. Não é senhor divino, e não carrega o hábito sagrado do natural como quer parecer, é artificial do inicio ao fim, o que vem de sua sombra, antes veio de outros envergados. Mal educados que acreditam saber de algo por carregarem uma estante de ‘outras verdades’.
Estou seguro na informação de fato, naquela que me chega naturalmente, tanto que me dá forças contra sua língua invejosa. Venha com seus grimórios das sombras, e lhe irei com meus livros da vida. É filho da mentira e se perdura na lamúria, sibila entre as frestas da Torre, mas não se dá conta da derrota. E também saiba... Os filhos de Gaia falam entre si, sim, em língua comum, silenciosa para os ouvidos mortos seus e daqueles que os seguem, cientes ou não. Então, abstenha de seus ataques. Pois minha morte já é certa, já estou condenado a me formar inteiro e onisciente imerso em cosmos como os outros antes de mim.
Que sua prisão incrustada no fundo das ignorantes almas sujas se perpetue.
Com muito amor, contra seu desamor, eu, para você, Senhor.”

  Queira livrar-se desta carta depois de lê-la, não se deixe contaminar com o saber destes bilhetes.  Amo-te demais, não quero vê-la triste. Porém...
  Estou no meu limite...
  Faça de suas orações minhas verdades, para que minhas rezas se tornem realidade.


  Com amor.

  Rumpelstiltskin



CARTA 10
                
Dia de Pétalas Caídas. Além do Horizonte, Floresta Esmeralda.
Ao meu amado Rumpelstiltskin

  Feche os olhos e perceberá a infinita luz de vórtice que mergulha nossa alma eterna. Lembre-se de seu caminho além da ilusão da Terra Baixa. É seu dever cumprir este caminho para se ter valor do mundo pós-estudo. Sabe bem disso...
  Recebi sua última carta desta época. O que lhe posso dizer é que me assusta seu medo. Confesso que já se passaram centenas de anos desde minha formação, então me é custoso lembrar-me de como pode ser dolorosa a vida aí... Retifico: Tenha calma, perseverança e coragem. Acredite! Tudo isso passará.
Fiquei espantada com a tentativa do Obscuro em lhe fazer desacreditar em sua luta e me orgulhei ao ver que não demorou em respondê-lo a altura. Pois fizeste bem.
  Sei também que seu diário pode cair em mãos alheias, já que ele se encontra perdido de você mesmo até então. Não se espante, há de ser bom isso. Não duvidemos das intenções do destino. Só lhe peço que não pare de escrever jamais...
  Esta primeira parte de seus escritos e rascunhos está terminada, mas logo dê conta de uma continuação, ainda existem muitas coisas a serem esclarecidas.
  As quatro matérias primas ainda giram para formarem o único tudo. Tenha fé em sua importância.
  Esconda o melhor que puder os segredos que lhe protegem, não revele demasiados fatos mágicos. Isso é um aviso. Cale-se...
  Quando se sentir vazio e abandonado lembre-se de quem realmente é: Filho material de Gaia. Irmão de todos os bichos e inimigo do vazio. Fortifique-se nesta idéia real. Unifique-se na energia geral e universal do ‘estar e perceber-se’. Não se sinta preso pela carne, ela é sua casa até então, o que lhe protege do nada neste mundo baixo. Aprenda com os outros, ouça mais e faça mais. Aplique o verbo para ele não perder a faculdade proferida. Não desanime.
  Termine por aqui esta coleção de escritos e desenhos. Dê limite para criar a forma encantada, se não, perder-se-á para o confuso e incerto...
  Agora, falando de nós mesmos...
  O pai dos unicórnios me visitou e conversamos muito a respeito de você. Estamos contentes ao saber de sua manutenção de espírito, porém ambos concordamos que há um perigo real nisso. Existem muitas almas baixas na Terra Baixa, elas podem oferecer alguns empecilhos na sua total qualidade de vida mortal. Então, lhe desejamos cautela. Não obstante, perseverança, como bem já lhe disse.
Seu primo Dispistiliken Antrovínio também tem me visitado, trazido notícias da aldeia dele e de seus parentes, estão todos bem. Apenas para seu conhecimento.
  Desejamos todos que você não desista. A vida pode ser bela e maravilhosa se tiver esforço nisso.
  Um dia nos veremos juntos, até lá, lhe enviamos votos de amor e coragem.
  Nunca se esqueça:
  “Uma ilusão de ótica não significa que não seja verdade. Tudo que se aprende é de útil aplicação. Siga a luz e fuja de falsos profetas. Seja livre pelo menos em seu coração. Ame mais e odeie menos. Tenha fé em seus cumprimentos. Chore quando possível e sorria quando quiser, ouça a música do mundo, e aja como um oboé.”

Amamos-te muito, e sabemos de teu amor por nós.
Com carinhos sinceros:

R.Fada Elmadrim

Série de Textos: As Cartas

O BILHETE ( CARTA 08)

>;-)>


“Bilhete encontrado embrulhado e amassado no fundo do baú atrás da porta quebrada do porão poeirento do Senhor Rumpelstiltskin...”



...estive bisbilhotando-o, não apenas ofegante, irritante, mas de constante interesse em seus miúdos contos palavreados. Pobre coitado! Como tem andado exprimido e incontido que, temido, não pode se socorrer pela incapacidade de se afirmar livre. Ora, ora, ora... Se pudesse eu choraria de pena, pelas penas suas... Absurdas.
Quem lhe disse estas coisas loucas que lhe passam pelos sonhos? Como pode imaginar voar entre as galinhas? Quer fazer de sua vida uma eterna rima sem coincidências? Ora, ora, ora... Se pudesse lhe gargalharia na face, por sua audácia de achar que os livres querem liberdade além da qual já possuem.
Quer criar uma tentação como o Diabo? Você não é nada na providência Plena. Que pena... Estive lendo suas cartas – e dos seus amigos – e não pude conter meus risos. Ora duende arrogante, não vê? Está isolado. Está sem forças e ainda se debate...
“Ouvi dos vaga-lumes...” Como se estes falassem ou você pudesse ouvi-los, como se os pássaros lhe pudessem dizer algo... Quer enganar a quem?
“Eu estudei muito...” Como se pudesse saber algo sozinho apenas observando o mundo, como se não precisasse ler ou concordar com outros antes de você... Os que repetem como papagaios as filosofias dos outros são muito mais ouvidos que um duende tolo e condenado.
“Lordes Sombrios...” Como se pudesse saber ou ter certeza da existência deles...
Quer um conselho? Siga as cartas do destino, escute mais o improviso, e não pense demasiadamente. Olhe-se no espelho e veja o que deseja! Ora, ora, ora... Só tolos como você não fazem isso. O mundo está feliz assim, do jeito que “gostamos”. Cheio de frutas viciantes, belezas agonizantes, promessas corriqueiras, presentes ganhos em troca de delírios, bebês caros para a felicidade dos pais...
Beba e fume, não se aborreça, ria mais a vossa tristeza.
Estive e ainda presto-lhe atenção. Sorrio demais com suas lágrimas tão solúveis nestas brumas da realidade geral. Pranto infantil...
Seja o que for... Você me faz rir...
Continue, continue... Quero ver até onde o bobo dá piruetas sem cair...

Com nem tanto amor assim, se me entende a pronúncia, sob fluidos de risos púrpuros:

Não preciso assinar, deve bem imaginar!

Sr.D.

See ya!

Série: As Cartas

CARTA 06

Dia de noite nevada. Sob Lua grande, terra escondida, ano da Tartaruga.

Da Floresta Elmo do Norte

Como fosse porcelana, quebraste seu coração de vidraça?
O que quer engolindo fogo e respirando veneno?
Bebendo o vinho dos espíritos, lembra, não lhe trouxe nada?
É mesmo difícil lhe entender, saber seu intento...
As libélulas já me contaram a respeito... Quase morreu.
Não foi?
Chamou por sua Mãe. Chamou por seus amigos...
Falou que estava cansado de sua missão, de sua prisão.
Que não agüentava mais os rugidos dos homens, das blasfêmias...
Dos olhos maldosos... Das músicas feitas para a dança da carne.
As borboletas já me disseram tudo... Quase voltou...
Não foi?
Pois me preste bem à atenção, amigo... Está adoecendo sim, isso é inevitável para o nosso povo que convive por aí. Contudo, isso não lhe dá o direito de abandonar sua missão. Isso não lhe dá o direito de urrar como um urso faminto. Isso não lhe dará nada além da autodestruição.
Os morcegos já me confessaram... Sua sombra foi vista por aqui...
Não foi?
Acalme-se. Acalme-se... Entendo sua angústia, sua tristeza tão amarga que lhe enche o peito. Compreendo sua mágoa, sua solidão e sua incapacidade de confiar nos bípedes vestidos. Sim... Mas mostre-nos o porquê de ter sido você o enviado para sofrer como eles. Sofra... Chore... Mas nunca deixe de acreditar no amor que lhe sustenta...
Os vaga-lumes já lhe falaram isso... Sua sombra andou ausente daí...
Não foi?

Com votos de melhora, e desejos de Força e Vitória...

De seu eterno amigo:
M. Athair
“Ar na Unicorns”



CARTA 07

Dia de Chuva Fria, sob os sinos do invisível véu de estrelas da Terra.
Ano da Tartaruga... Terra.

Ao caro Mestre Athair. Pai dos Unicórnios.

  Acalentei-me estes dias de mim mesmo, para apaziguar suas preocupações. Fui, contudo, um tolo ao me exibir para as bruxas más dos ventos gelados da noite... Elas ainda perduram por estas bandas. Acredita? Pois bem, sem culpá-las – mas que fique clara a influência – tive recaídas desastrosas para comigo mesmo. Entenda que, para mim, tem sido mesmo difícil morar na Torre. Os Truks, ou Homens – como são conhecidos entre os próprios – ainda se ocupam na construção máxima. Há bastante trabalho, isto é, serviço escravo. Os Lordes Sombrios não se limitam mais às sombras, estão cada vez mais ousados, chegam à liberdade do dizer malévolo. Nem mesmo contestam os ataques dos rebeldes... Muitas notícias ecoam pelas milhões de Telas Refletoras pelo mundo todo. Falam sobre dominação em massa, controle total, “Nova Ordem Mundial...,” e ninguém parece se atentar realmente ao perigo.
  Mesmo entre os Truks, parece-me, inicia-se certa revolta e rebeldia, porém são inibidas e suprimidas através de idéias que as desvalorizam. Isso me corta o coração. As novas almas que por aqui surgem, já são moldadas ao sistema de construção da Torre desde os primeiros dias... Pelos próprios pais que, sem saberem, doutrinam e preparam as crias de modo a sobreviverem à ilusão geral. Se isso é bom ou ruim, está além de minha capacidade de julgamento.
  Todos dormem. Mas os Lordes seguem despertos propagando o trabalho inútil, em nome dos Sete Caminhos Tortos. Por isso a miséria geral segue em frente...
  Porém não são só eles os responsáveis. Eles encantaram a multidão com promessas de bem-estar. Prometem luxos e prazeres quase impossíveis em troca da mão de obra. Por isso a mesma multidão ajuda e luta em nome da Torre.
  Isso e muito mais veio a me calhar desagradavelmente à desesperança. Também o pessimismo no meu trabalho... Por isso quase forcei minha volta para casa.
  Não me arrependo, porém, não me orgulho do feito. Pois os pássaros, insetos, morcegos e demais não lhe mentiram. Foi verdade, até mesmo pude ouvir os bichos daí.
  Só lhe envio esta carta por consideração a sua preocupação e conselho. Mas não me entenda mal, a dor e o sofrimento daqui são realmente lancinantes. Quase insuportáveis. A confusão mental é muita e a desinformação, completa. Por isso não culpo a multidão enganada e dominada...
  Para resumir, é isso.
  Mande-me mais notícias suas, dos unicórnios que cuida... Dos silfos rebeldes e malandros... Sinto muitas saudades de todos. Estou me sentindo bastante sozinho aqui... Pode bem entender.
  Ah, antes que eu me esqueça, o sortilégio que depositou no envelope não teve efeito. A barreira que criaram contra feitiços aqui é bastante eficaz, desista. Não há mais lugar para magia aqui na Terra. Se me quer o bem, apenas palavras sábias passarão, e se estiverem disfarçadas como bem sabe fazer. Do mais, não se preocupe, já estou acostumado com a cinérea realidade destas paragens.

  Agradeço mais uma vez o contato.

  Atenciosamente, de seu eterno, sim, amigo:

  Rumpelstiltskin

Série: As Cartas

CARTA 03

Carta à Rainha Fada
 
Belíssima fada turva de volúpia íntima, com sua tão bela borboleta absurda, me ilustra lustrosa Lua... Ah! Planetas e cometas voam solitários no universo, deslizam-se para a boa ação em divinos versos. Já as pétalas nuas engolem-se. Cruzam-se íntimas. Vagas e cruas dançam-se, choram, satisfeitíssimas! Oh! Belíssima flor meiga, de seiva amarga de sabor doce... Afaga-me a perfeita saudade, de bem, já hoje! Soluça-me desejos e sonhos à noite que, sobre meu orgulho, mergulha oriunda, vinda de sua desejada floresta desabitada... Ora suas asas tremem após abraço ávido de lhe tocar as folhas sensíveis, ora se comprimem em volta de mim, sob a mata morna dos encantos que me insistem. Luto - em não perdê-la os olhos sonhadores - em meus sonhos. Então me deixo morrer de entorpecimento, alucinado e rendido, aos seus mais ternos lábios sagrados, eternamente apaixonados, por um duende falido.



CARTA 04

Carta à fada além do vale da Torre.
Dia de São Nunca, as vésperas da Festa Feliz.

Os longos uivos dos lobos me assustam, embora cantem para a Lua, seus olhos brilham no escuro. Eles enxergam as almas mais comuns, caçando o inimigo. Não me espantaria, entre tanto, se eles honrassem a Mãe, pois julgam mal seu opositor. Caçam mais sangue que carne, rosnam mais que latem. Não são cães... São lobos selvagens e famintos pela noite, revoltados com o mundo que criaram para eles. São forçados a serem o que são. Tenho medo sim. Sou apenas um duende velho, em crise. Sentiria muita fé se o que sinto, não fosse consequência dos Lordes do Poder.

Não se opõem ao meu livre pensar, mas me negam a minha razão com suas ações. Não só a mim... A todos. Porém, dizem alguns por aqui, no vale; “De que adianta se rebelar e não ter as mesmas armas? É um suicídio tolo e infantil... Acorde para o Muro, desta enorme construção. A terra eterna da pedra da escuridão. Não vê as fumaças pestilentas no ar? Não enxerga a água contaminada que bebemos? Se acuda. Rebeldia só te levará a amarga versão dos fatos. E isso, meu caro duende amigo, não lhe ajudará em nada, só o manterá, na temida e vasta, solidão!”

O que poderia dizer diante desta conclusão?
Estou preso, mas preciso do que eles querem; o papel de crédito da Torre.
Temos que alcançar o inalcançável céu. Temos que por esta Torre pra cima...
Não importa os vigias, não importa os traidores...

Mas não como estes lobos que me assustam... Não com selvageria...
Eu vi na bola, que se o mundo está acabando... Dizer isso, para todos, é querer o pior.
O arco-íris há tempo não aparece...
E os guardas querem saber da Planta. E outros acreditam na matança...
Irmãos inimigos de irmãos. Pai contra os filhos. Filhos contra os pais... Todos inocentes passivos diante do massacre comandado pelos Lordes Sombrios.
Alquimistas da ingratidão.
Gritam pela Boca da Mentira:
“Queimem eles, soprem depois. Esfolem-nos, por não cumprirem as ordens...!”
E os escravos batem palma...

Desculpe-me bela Rainha. Escondida és bela dita.
Foi-se minha razão com palavras duras já escritas.
Mas que me é árduo sensação de impotência...
Vou mesmo ter que florescer no barro...
Mande-me preces... Flores só no fim...
Até lá tenho muito que fazer e pensar.
Até lá vou tentar lhe dizer a respeito da multidão...
Mas não hoje, temos uma eternidade pela frente.

Com carinhos:
Rumpelstiltskin.


CARTA 05

Dia de Ópera Florestal, ano da Tartaruga Eterna, onde sobre seu casco, vive o mundo.
Ao meu carinhoso e melancólico Rumpel:

  Imaginava sensações suas trazidas pelos pássaros. Enviei-lhe então sobras de luz, daqui, para iluminá-lo nas sombras de sua prisão. Espero que tenha sido mais uma impressão exagerada, a minha, pois me custa saber de suas dores. Toca-me o coração, acostumado de ternura, banhado pela névoa que me cai aqui na clareira da emancipação.
  Sei que há alguém aí que poderia lhe libertar, mas sei também de sua postura; fria e protecionista. Seu medo dos humanos lhe causa dor, lhe suspende na poeira, mas lhe fere a pele verde delicada... Escute mais os bichos, estes nunca lhe abandonarão. Tenha fé em nossa Mãe. Gaia é generosa com seus filhos que, mesmo sob tortura, não Lhe negam a importância e sabedoria.
  Muitos de nós já fomos caçados e queimados no passado, desde quando os elfos partiram para bem longe... Afortunados foram eles.
Porém sua missão persiste. Tenha força e não se abandone. Um dia toda a loucura que esteja presenciando acabará. Verá! Voltará aos meus braços que tanto querem lhe afagar...
  Confesso, mas antes peço, que não se alarme, chorei-lhe cristais sob o salgueiro azul.
  Ainda lhe penso e lhe concebo.
  Ainda e eternamente serei sua fêmea...
  Suas cartas, a mim enviadas, pelos insetos coloridos que te visitam me chegaram a tempo. Continue a me relatar, se isso lhe anestesia as dores.
  O rouxinol me contou também que você, meu amado, anda mais triste do que nunca, que suas orelhas, embora não mais pontudas, estão a escutar demais. Os fantasmas da destruição estão a lhe importunar... Que os humanos seguidores dos Lordes Negros estão a lhe observar... Que suas mechas naturais estão crescendo, juntamente com sua mágoa por aqueles que as condenam...
  Não se retenha a isso. Lembre-se... “Somos crias do cosmos, somos filhos de Gaia, e sofreremos enquanto a mentira dos homens perdurarem”. Não lute contra, apenas observe e nos relate suas experiências. Tenha calma e não retorne até ter certeza de que está livre para isso. Ainda existem bons humanos, nunca se esqueça disso, é por eles que fazemos o que fazemos...
  Continue seu diário disfarçado. Continue... Aproveite da descrença dos inimigos e construa nossa arma contra a Cabeça de Ferro.
  O fogo terá seu fim um dia, e lá, só restará a chama da verdade...
  Não se precipite.
  Eu e os seus, o amamos.

  Com carinhos saudosos.

  F. Elmadrim
  “Sua Fada além do Vale.”

Anotação 05: Paradóxo. A Magia Para Escravizar quem Nela Não Acredita

Cartas Mágicas
São escritos/textos metafóricos. Cartas do ser interior do escritor destinadas para o ser interior do leitor, ou para um ser imaginário capaz de compreender o lamento... Por isso o pseudônimo Rumpelstiltskin... Algo difícil de ler e compreender, nome, também, de uma personagem de contos de fada. Assim, faço alusão à injusta fama que a magia verdadeira tem no mundo atual, a de algo inexistente e irreal, quase sempre associada a poderes escabrosos e imaginativos como: Levitação, tele-cinese, leitura de mente, previsão do futuro, bolas de fogo expelidas pelas mãos de “bruxos” e “magos”... A variedade é enorme. Isso tudo só tem um único objetivo: Difamar e desacreditar a Magia. Desviar a atenção das pessoas para outros valores, dessa forma, conquistá-las. Quando alguém acredita, por exemplo, no valor monetário de uma moeda corrente, ela está sob poder mágico daquele mesmo artefato... Traduzindo: O poder do dinheiro está, e mora, no conceito ou na possibilidade do seu ‘possuidor’ de conseguir o que deseja... O desejo particular, ou comunitário, dá poder ao artefato, isto é, quanto mais moeda tiver, maior a possibilidade de adquirir o que deseja e quanto mais gente acreditar nesse poder, mais ele se torna real. Porém essa lei só funciona se a maioria aceitar a idéia, onde o verdadeiro beneficiado é o produtor, ou mantenedor, do sistema monetário e da ideia do mesmo. Percebe-se? Ainda falamos de Magia. Real. Verdadeira e ainda presente na vida da maioria das pessoas no mundo inteiro. Por isso prega-se tanto a sua inexistência. As cartas mágicas tratam desse conceito...

Anotação 04: A Religião do Verdadeiro Cético

Religião e Crenças
Esse Blog não se trata de doutrina religiosa ou de alguma ‘crença’ baseada em mitos. O intuito é simples: expandir, compartilhar e concentrar conhecimento. Fazer pensar a respeito, de tudo. E guiar esses pensamentos e ideias para a Luz. Quero com esse Blog, criar um canal de sintonia com todos aqueles que buscam no estudo e na investigação intrínseca a resposta para suas dúvidas. Sem dogmas e preconceitos. É sabido, pelos sabidos, que quase nada em todas as religiões de massa é sustentável pela lógica, no entanto, poucos sabem que mesmo assim, essas mesmas religiões e crenças, possuem bases filosóficas autênticas e verdadeiras, ora se não mora aí o poder das mesmas de conquistar o coração da multidão. A questão é: O que procura o indivíduo? Deus? A verdade universal? Riqueza? Respostas*? Bem, isso seria um assunto extenso demais para essa ocasião, então devo me centrar no propósito desse texto, falar somente a respeito da filosofia desse Blog, de maneira mais sucinta possível. Deus possui várias definições, mas iremos considerar como sendo ‘Deus’ o nome dado a inteligência cósmica/universal. Pensando assim, pretendo respeitar e levar em consideração o maior número de concepções religiosas, e filosóficas, possível dentro da minha, ou nossa, capacidade intelectual. Não quero e nem pretendo ofender ou questionar seja qual for a religião ou filosofia científica, pelo contrário, me parece cabível justamente a união sensata dessas ideias humanas. É possível e sensato conceber, ou entender (-se) o Universo/Cosmo de maneira ‘religiosamente científica’, ou, ‘cientificamente religiosa’. Magia. ‘Tudo é luz’, segundo conceitos mais atuais da ciência contemporânea. Também possível de se afirmar o mesmo na maioria dos seguimentos religiosos; ‘Deus é Luz’. Ou a Luz a materialização de sua/Sua/nossa ideia, penso eu, e outros comigo. Uma ideia, em minha opinião, completamente concebível e lógica. Sem ferir minha inteligência ou fé. E é sobre esses conceitos que a maioria dos meus textos diz respeito em partes...

Série de textos: As Cartas

CARTA 01:

Dia de sol para todos nós às quando-puder-eu-faço, Mirilândia – Prosperandia

Ao amável Sr. Rumpelstiltskin Digo olá de cá de longe para tu Caro Rumpel. Com saudade espero visita sua para confabulações mais despertas. Mesmo também talvez, para um verde-espelhado chá matinal. Te ar refrescaria? Espero que sim seja bem dito daí. Embora estas sejam minhas vontades, o que quero mesmo com esta carta é lhe dar notícias de casa e opiniões a lhe enviar. Primeiro minhas gentis e singelas opiniões. Achei, por assim achar, que talvez pudesse ser mais claro aos meus olhos e cabeça sobre o objetivo destes seus textos e comentários esquisitos que figuram seu “blog”, o que quer com isso? Além do mais aos quais também percebi figurações e metáforas demasiadas. Precisava ser assim? E sem ser chato, mas insistente, até inconsistente, quero lhe propor o costume da clareza... Ser mais objetivo. Claro. Repetitivo apenas para certificações. Desculpe por, talvez, estar lhe causando embaraço, já que sei que irá postar esta carta, Duendes não mentem nem omitem respostas se perfeita for a pergunta. Mas não quero lhe somente cutucar, quero lhe afagar com notícias, como bem já lhe disse nesta carta. Fui promovido a Auxiliar de Leitor de Arco-íris aqui na vila. Minha mãe, sua prima, ficou muito feliz comigo. E fiquei feliz também por ela ter se alegrado como meu pai que sorriu luminosamente diante da vó, que me abraçou apertadamente e copiosamente até que o tio Glin a afastou para poder me dar um belíssimo aperto de mão sagrado, herdado como bem sabe, do vô, seu tio, o ancião mais amado depois de Anselmo, padrasto afastado de Amélialina minha mãe, que também estava aqui... Só as congratulações suas é que me faltam. Do mais quero lhe cumprimentar e parabenizar pela fidelidade ao povo, nunca se esquecera de quem é. Logo vejo! Como todos já comentam na vila... E notas sobre os Homens são de grande utilidade para nós daqui que vivemos além do portal... Aproveitando a chance do contato, queria também tirar uma dúvida contigo. É verdade que os homens não choram e que eles possuem coração de verdade? Vários abraços do seu primo Dispistiliken Antrovínio. Obs.: A Minha mãe está lhe enviando Mill beijos.

CARTA 02:
Algum dia do sul veraneio que resplandece o dia inteiro.

Data controle Truk: Em hora de Verão, seguindo por 18h10min do Dia Número 6 do Décimo - Primeiro Mês segundo a infantaria Cristã.

Olá primo Antrovínio.

Venha você me entender os motivos de não ter lhe enviado registros antes:
Antes os escritos estavam florescendo somente nos jardins de minha mente, que de repente, iluminou-se de sentimentos diversos. Floresceu a esperança, verde e rente ao solo fértil de idéias. Embora estivesse machucada. A tantos pesares que, ela, me arrastou na Terra... Pendurava-me de cabeça pra baixo e me apontava o céu, assim por mais que olhasse e procurasse, via tudo errado. Ah! Se eu já não soubesse que a morte do mundo está só na morte da mente...
Contudo o pântano findou e deu lugar ao ensaio que preparava e pretendia lhe enviar.
Foi difícil manter a sanidade vendo os Truks esmagarem tudo, achei que minha casa também ruiria.
Os gatos andam falando em revolução...
Pode crer?
Perceba que lhe envio esta carta meio a repressão do coração, do qual comentou contatos anteriores, lembra? Deve estar sim, espero. Sobre o fato dos Truks, ou Homens, possuírem coração e não chorarem... Confesso que cheguei a acreditar no contrário.
Bem, entenda que tudo na Terra é movido por Ela. Por mais que se brigue, Ela vence... Só está esperando a petrificação Truk acabar. As plantas voltarão...
Mesmo eles aqui já estão percebendo algo estranho no clima, digo na sensação de que se tem do Mundo. O Mundo dos Homens.
Estão como vapor preso no caldeirão da velha Clarissesbela aí da vila.
Possa você imaginar como tem sido este intercâmbio para mim.
Estou com medo... Mas tenho a coragem necessária para seguir até o fim de minha conta nestas terras.
Bem...
Tia Flora me enviou uma carta, pediu-me para não postá-la em lugar algum... Mas disse muita coisa... Disse que os povos daí já estão tendo contato com os de fora?! Achei um exagero... Falou que o sol lhes contou sobre o que está para acontecer na Terra. Que a Lua teve filhos. Que estrelas novas surgiram... E que as velhas morreram.
Os Truks estão começando a sentir ainda... Falta muita coisa acontecer para se tocarem. Mas estamos todos bem... Estes dias até voltei a ser picado por uma abelha, acredita? Elas andam bem magoadas com o comércio escravo. Fazer o quê...
Desculpe não prosseguir contigo, mas tenho muito que fazer ainda...
Vou tentar lhe escrever mais em breve...

Com amor de seu tio:
Rumpel...

Anotação 3: A Magia Real Vista por Irreal

Magia
Existem muitos conceitos sobre o que é Magia. Entre tanto se deve considerar um único, pelo menos, ao que diz respeito a esse Blog. Entenda-se por magia toda forma inteligente e lógica de perceber, interpretar, conceber ou manipular qualquer tipo de informação, seja essa visual, textual, musical, oral... A arte, no caso, em si mesma, concebe-se como um ato mágico, pois se estabelece como força mágica real devido à capacidade dinâmica de transformar uma idéia, ou a subjetividade, em algo absorvível por quase todos, mesmo aos menos atentos. Isso seria, nesse caso, uma réplica da atitude universal, criação /transformação e a de se auto-afirmar real mesmo em sua aparente caótica 'organização'. Toda concepção e aceitação dessa idéia primária, ou fundamentada em princípios lógicos e antigos, podem ser consideradas, aqui, magia. A habilidade de se ver, ou se entender, parte de uma energia universal também é magia. Para muitos que assim o fazem podem se afirmar possuidores de um campo de proteção mágica, ou círculo arcano. Mas a maioria prefere dar para essa habilidade o nome de ‘conhecimento’, que pode ser específico dependendo do propósito. Exemplo: Para cada tipo de assunto existe uma variada carga de informação, algumas verdadeiras, outras longe disso. Dessa maneira quanto mais conhecimento a respeito de um determinado assunto alguém tiver, maior vai ser o poder de seu círculo de proteção mágica, que repelirá as forças provenientes da ignorância, ou trevas, para os mais “encantados”. A luz do conhecimento (também real como sendo parte da mesma luz solar *, porém invisível) é que alimenta, ou dá forma e substância, a esses campos mágicos...

* ver: As Cores

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Imagem

Título: A Pequenina Lunática
D.: 80x80 (dimensão circular)
Técnica: Pastel sobre MDF
Autor: Suzo Bianco



  

Imagem

Título: Clara na Clareira
Dimensões: ~ 90x90 cm
Autor: Suzo Bianco
Técnica: Pastel sobre placa de MDF


 .

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Diálogo

A Conversa
 
A Estrela disse ao Sol:

Quando não se tem ninguém
Pra quem agente chora?
Quando nos calam
Quando nos falam
Pra quem agente implora?
Quando não se tem moeda
Pra quem agente pede?
Quando nos calam
Quando nos falam
Pra quem agente sede?

E o Sol disse para a Estrela:

Pra que agente chora
Quando não se tem ninguém?
Pra nos calar?
Pra nos falar?
Quando agente faz também?
Pra que agente pede
Quando não se tem moedas?
Pra nos calar?
Pra nos falar?
Quando agente tem goelas?

A Estrela então falou:

Pra que nos apontam
Se brilhamos tão bem?
Pra nos rirem?
Pra nos virem?
Estão-se sozinhos também?
Chegue mais longe
E os ensinará...

O Sol então respondeu:

Porque brilhamos tão bem
Se não podem nos apontar?
Pra nos rirem.
Pra nos virem.
Estão-se sozinhos também!
Chegue mais perto
E os entenderá...



suzo bianco