O BILHETE ( CARTA 08)
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“Bilhete encontrado embrulhado e amassado no fundo do baú atrás da porta quebrada do porão poeirento do Senhor Rumpelstiltskin...”
...estive bisbilhotando-o, não apenas ofegante, irritante, mas de constante interesse em seus miúdos contos palavreados. Pobre coitado! Como tem andado exprimido e incontido que, temido, não pode se socorrer pela incapacidade de se afirmar livre. Ora, ora, ora... Se pudesse eu choraria de pena, pelas penas suas... Absurdas.
Quem lhe disse estas coisas loucas que lhe passam pelos sonhos? Como pode imaginar voar entre as galinhas? Quer fazer de sua vida uma eterna rima sem coincidências? Ora, ora, ora... Se pudesse lhe gargalharia na face, por sua audácia de achar que os livres querem liberdade além da qual já possuem.
Quer criar uma tentação como o Diabo? Você não é nada na providência Plena. Que pena... Estive lendo suas cartas – e dos seus amigos – e não pude conter meus risos. Ora duende arrogante, não vê? Está isolado. Está sem forças e ainda se debate...
“Ouvi dos vaga-lumes...” Como se estes falassem ou você pudesse ouvi-los, como se os pássaros lhe pudessem dizer algo... Quer enganar a quem?
“Eu estudei muito...” Como se pudesse saber algo sozinho apenas observando o mundo, como se não precisasse ler ou concordar com outros antes de você... Os que repetem como papagaios as filosofias dos outros são muito mais ouvidos que um duende tolo e condenado.
“Lordes Sombrios...” Como se pudesse saber ou ter certeza da existência deles...
Quer um conselho? Siga as cartas do destino, escute mais o improviso, e não pense demasiadamente. Olhe-se no espelho e veja o que deseja! Ora, ora, ora... Só tolos como você não fazem isso. O mundo está feliz assim, do jeito que “gostamos”. Cheio de frutas viciantes, belezas agonizantes, promessas corriqueiras, presentes ganhos em troca de delírios, bebês caros para a felicidade dos pais...
Beba e fume, não se aborreça, ria mais a vossa tristeza.
Estive e ainda presto-lhe atenção. Sorrio demais com suas lágrimas tão solúveis nestas brumas da realidade geral. Pranto infantil...
Seja o que for... Você me faz rir...
Continue, continue... Quero ver até onde o bobo dá piruetas sem cair...
Com nem tanto amor assim, se me entende a pronúncia, sob fluidos de risos púrpuros:
Não preciso assinar, deve bem imaginar!
Sr.D.
See ya!
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