Sobre esse Diário


*Esse Blog é destinado àqueles que sentem o mundo “invisível”.
*Esse Blog é um diário de um homem comum que se permite pensar sem se importar com o persistente sistema de referência que poderia impedir o verdadeiro pensamento livre.
*Esse Blog tentará ligar o comum ao incomum, tentará desmistificar o místico, sem que este perca seu teor maravilhoso.
*Esse Blog não tem a intenção de esclarecer, mas de fazer pensar; com isso, tornar possível o ato do ‘questionar o aparentemente óbvio’.
*Esse Blog é um conjunto de textos e imagens variadas com o intuito de ilustrar uma idéia mais intrínseca no que se refere à existência. Contudo não é a intenção do autor ter a prepotência de afirmar definitivamente nada que corresponda a tudo que possa se referir ao ato de existir, viver, pensar ou crer. A intenção é unicamente divagar sobre esses mesmos temas, de modo que se possa levar ao ‘pensar livre’.
*Cada texto e ilustração aqui postados são de autoria de Suzo Bianco, e tem o intuito de relacionar ou expressar conceitos do que é denominado ‘mundo invisível’. Mundo invisível, nesse caso, é a realidade primária, aquela que é confundida com o que ‘não existe’ ou ‘fantástico’. Trata-se, no entanto, de perspectiva diferenciada. “Ver brilhos nas folhas, ao invés de ‘apenas’ orvalhos.” Mesmo sabendo do que são feitos ou como são formados.
...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Olá, para postar mais...
Links para download de boas histórias...

Abraços a todos e boa leitura
Atenciosamente
Suzo Bianco

Sinopse:

Como um ser mágico entenderia, sentiria ou interagiria com nosso mundo? Quais segredos ele revelaria sobre nós e sobre si mesmo? Que enigmas tais cartas apresentariam para um mundo onde a matéria é tão valorizada? OS ESTRANHOS POEMAS DO SR. RUMPEL É uma coletânea de poemas e ensaios hipoteticamente escritos por um duende disposta como diário, onde a ficção e a realidade se fundem de maneira ‘fantástica’. 



Sinopse:

Lucas e Luiz sãos dois velhinhos, que junto a outros pacientes, vivem na Casa de Fátima para Idosos, reféns da perversidade e maldade de Jonathan, o responsável geral do asilo. Contudo, a esperança de uma revanche chega com a aparição de Dimas, um pequeno gato negro com uma estranha e fantástica capacidade mágica... Coisas extraordinárias mudariam para sempre a vida de todos naquele lugar... Literatura Fantástica Leitura aconselhável para maiores de 13 anos. 



Sinopse:

 Jaílton é um homem simples que tem a chance de trabalhar para pagar suas dívidas, contudo o emprego é num cemitério, algo que para ele é motivo de pavor. Mesmo assim, nada poderia prepará-lo para o que estava por acontecer assim que começasse seu turno como zelador do sinistro lugar. Tipo: Conto Gênero: Humor/terror Leitura: Livre 


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sábado, 14 de abril de 2012

Imagens: O Abstrato Figurado e o Figurado Abstrato

Azul

Sonham Conosco


"Há figuras que compreendemos apenas quando sonhamos, porque apenas sonhando podemos percebê-las. E elas a nós.
Há imagens que só enxergamos somente quando acordamos, porque somente acordados podemos entendê-las. E nelas, nós.
Há figuras abstratas e abstratas figuras, e apenas se formam em nossa mente, em nossa imaginação, que sempre imaginada foi/é/será como quer a compreensão.
Como desenhar ou escrever isso então?"S.B

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Série: As Cartas

CARTA 09

Dia de ar seco pós-pó de qualquer terra. Sob teto da Torre que quer crescer, mas não pode. Terra Baixa.

À minha eterna amada Fada, mais uma vez.

  Quem me dera, agora, tivesse lhe enviando notícias boas sobre minha saga, desde já lhe confesso insatisfação com as necessárias palavras que lhe envio. Quero compartilhar contigo pensamentos nebulosos que me assombram nestes tempos recentes, desta minha louca sanidade...
  Como bem pode conceber, a força mágica vem diminuindo com o passar dos dias, imagino que tenha ligação direta com a destruição das fontes sagradas. Que Gaia esteja doente, não é novidade, mas estou começando a perceber que minha energia tem relação com a mesma força... Isto é, Gaia chora, e eu sinto. Não sozinho, claro, mas estou de aviso.
  O ar segue seco e venenoso, a água sem os sais...
  Poderia lhe falar sobre tudo que está ocorrendo por estas paragens, mas seria desnecessário, pois já é de conhecimento geral a doença da terra. O que quero de fato relatar é sobre uma carta que, me vendo obrigado, enviei para o Obscuro.
  Ele me mandou um bilhete desorientador... Acho que bem sabe qual me refiro.
  Então, escrevi de próprio punho - usando de tinta viva, de acordo com as normas de proteção mágica – uma carta de resposta. Envelopei-a com papel de madeira vermelha e selei com cera de prata. Joguei no bueiro mais profundo que pude encontrar sem ninguém como testemunha, como reza a regra.
  Agora, que o que escrevi tenha efeito...
  Abaixo segue cópia do texto endereçado ao Obscuro, para que minha amada possa servir de avisada e averiguar meus intentos:

“Ao jorrado desaforado aproveitador das mentiras tortas da crosta morta. Segue-lhe ingratamente o presente afeto recíproco de injurias suas. Palavras foram-me endereçadas com propósitos tuberculosos, fumacentas e nebulosas, sujas de risadas ásperas provavelmente remanescentes de quando foram riscadas. Então para sua entidade sombria e desumana, aponto-lhe estes crentes traços codificados.
Nunca terá força contra ouvidos atentos e mente aberta, nunca seu veneno terá efeito contra o sangue em mim verdadeiro. Entre as sementes de intento fantástico, mora-me a verdade, entre os erros de meus defeitos, fala-me a cicatriz da aprendizagem. Seu poder está na retórica aprendida e sustentada apenas na habilidade de proteger suas mentiras e enganos. Não é senhor divino, e não carrega o hábito sagrado do natural como quer parecer, é artificial do inicio ao fim, o que vem de sua sombra, antes veio de outros envergados. Mal educados que acreditam saber de algo por carregarem uma estante de ‘outras verdades’.
Estou seguro na informação de fato, naquela que me chega naturalmente, tanto que me dá forças contra sua língua invejosa. Venha com seus grimórios das sombras, e lhe irei com meus livros da vida. É filho da mentira e se perdura na lamúria, sibila entre as frestas da Torre, mas não se dá conta da derrota. E também saiba... Os filhos de Gaia falam entre si, sim, em língua comum, silenciosa para os ouvidos mortos seus e daqueles que os seguem, cientes ou não. Então, abstenha de seus ataques. Pois minha morte já é certa, já estou condenado a me formar inteiro e onisciente imerso em cosmos como os outros antes de mim.
Que sua prisão incrustada no fundo das ignorantes almas sujas se perpetue.
Com muito amor, contra seu desamor, eu, para você, Senhor.”

  Queira livrar-se desta carta depois de lê-la, não se deixe contaminar com o saber destes bilhetes.  Amo-te demais, não quero vê-la triste. Porém...
  Estou no meu limite...
  Faça de suas orações minhas verdades, para que minhas rezas se tornem realidade.


  Com amor.

  Rumpelstiltskin



CARTA 10
                
Dia de Pétalas Caídas. Além do Horizonte, Floresta Esmeralda.
Ao meu amado Rumpelstiltskin

  Feche os olhos e perceberá a infinita luz de vórtice que mergulha nossa alma eterna. Lembre-se de seu caminho além da ilusão da Terra Baixa. É seu dever cumprir este caminho para se ter valor do mundo pós-estudo. Sabe bem disso...
  Recebi sua última carta desta época. O que lhe posso dizer é que me assusta seu medo. Confesso que já se passaram centenas de anos desde minha formação, então me é custoso lembrar-me de como pode ser dolorosa a vida aí... Retifico: Tenha calma, perseverança e coragem. Acredite! Tudo isso passará.
Fiquei espantada com a tentativa do Obscuro em lhe fazer desacreditar em sua luta e me orgulhei ao ver que não demorou em respondê-lo a altura. Pois fizeste bem.
  Sei também que seu diário pode cair em mãos alheias, já que ele se encontra perdido de você mesmo até então. Não se espante, há de ser bom isso. Não duvidemos das intenções do destino. Só lhe peço que não pare de escrever jamais...
  Esta primeira parte de seus escritos e rascunhos está terminada, mas logo dê conta de uma continuação, ainda existem muitas coisas a serem esclarecidas.
  As quatro matérias primas ainda giram para formarem o único tudo. Tenha fé em sua importância.
  Esconda o melhor que puder os segredos que lhe protegem, não revele demasiados fatos mágicos. Isso é um aviso. Cale-se...
  Quando se sentir vazio e abandonado lembre-se de quem realmente é: Filho material de Gaia. Irmão de todos os bichos e inimigo do vazio. Fortifique-se nesta idéia real. Unifique-se na energia geral e universal do ‘estar e perceber-se’. Não se sinta preso pela carne, ela é sua casa até então, o que lhe protege do nada neste mundo baixo. Aprenda com os outros, ouça mais e faça mais. Aplique o verbo para ele não perder a faculdade proferida. Não desanime.
  Termine por aqui esta coleção de escritos e desenhos. Dê limite para criar a forma encantada, se não, perder-se-á para o confuso e incerto...
  Agora, falando de nós mesmos...
  O pai dos unicórnios me visitou e conversamos muito a respeito de você. Estamos contentes ao saber de sua manutenção de espírito, porém ambos concordamos que há um perigo real nisso. Existem muitas almas baixas na Terra Baixa, elas podem oferecer alguns empecilhos na sua total qualidade de vida mortal. Então, lhe desejamos cautela. Não obstante, perseverança, como bem já lhe disse.
Seu primo Dispistiliken Antrovínio também tem me visitado, trazido notícias da aldeia dele e de seus parentes, estão todos bem. Apenas para seu conhecimento.
  Desejamos todos que você não desista. A vida pode ser bela e maravilhosa se tiver esforço nisso.
  Um dia nos veremos juntos, até lá, lhe enviamos votos de amor e coragem.
  Nunca se esqueça:
  “Uma ilusão de ótica não significa que não seja verdade. Tudo que se aprende é de útil aplicação. Siga a luz e fuja de falsos profetas. Seja livre pelo menos em seu coração. Ame mais e odeie menos. Tenha fé em seus cumprimentos. Chore quando possível e sorria quando quiser, ouça a música do mundo, e aja como um oboé.”

Amamos-te muito, e sabemos de teu amor por nós.
Com carinhos sinceros:

R.Fada Elmadrim

Série de Textos: As Cartas

O BILHETE ( CARTA 08)

>;-)>


“Bilhete encontrado embrulhado e amassado no fundo do baú atrás da porta quebrada do porão poeirento do Senhor Rumpelstiltskin...”



...estive bisbilhotando-o, não apenas ofegante, irritante, mas de constante interesse em seus miúdos contos palavreados. Pobre coitado! Como tem andado exprimido e incontido que, temido, não pode se socorrer pela incapacidade de se afirmar livre. Ora, ora, ora... Se pudesse eu choraria de pena, pelas penas suas... Absurdas.
Quem lhe disse estas coisas loucas que lhe passam pelos sonhos? Como pode imaginar voar entre as galinhas? Quer fazer de sua vida uma eterna rima sem coincidências? Ora, ora, ora... Se pudesse lhe gargalharia na face, por sua audácia de achar que os livres querem liberdade além da qual já possuem.
Quer criar uma tentação como o Diabo? Você não é nada na providência Plena. Que pena... Estive lendo suas cartas – e dos seus amigos – e não pude conter meus risos. Ora duende arrogante, não vê? Está isolado. Está sem forças e ainda se debate...
“Ouvi dos vaga-lumes...” Como se estes falassem ou você pudesse ouvi-los, como se os pássaros lhe pudessem dizer algo... Quer enganar a quem?
“Eu estudei muito...” Como se pudesse saber algo sozinho apenas observando o mundo, como se não precisasse ler ou concordar com outros antes de você... Os que repetem como papagaios as filosofias dos outros são muito mais ouvidos que um duende tolo e condenado.
“Lordes Sombrios...” Como se pudesse saber ou ter certeza da existência deles...
Quer um conselho? Siga as cartas do destino, escute mais o improviso, e não pense demasiadamente. Olhe-se no espelho e veja o que deseja! Ora, ora, ora... Só tolos como você não fazem isso. O mundo está feliz assim, do jeito que “gostamos”. Cheio de frutas viciantes, belezas agonizantes, promessas corriqueiras, presentes ganhos em troca de delírios, bebês caros para a felicidade dos pais...
Beba e fume, não se aborreça, ria mais a vossa tristeza.
Estive e ainda presto-lhe atenção. Sorrio demais com suas lágrimas tão solúveis nestas brumas da realidade geral. Pranto infantil...
Seja o que for... Você me faz rir...
Continue, continue... Quero ver até onde o bobo dá piruetas sem cair...

Com nem tanto amor assim, se me entende a pronúncia, sob fluidos de risos púrpuros:

Não preciso assinar, deve bem imaginar!

Sr.D.

See ya!

Série: As Cartas

CARTA 06

Dia de noite nevada. Sob Lua grande, terra escondida, ano da Tartaruga.

Da Floresta Elmo do Norte

Como fosse porcelana, quebraste seu coração de vidraça?
O que quer engolindo fogo e respirando veneno?
Bebendo o vinho dos espíritos, lembra, não lhe trouxe nada?
É mesmo difícil lhe entender, saber seu intento...
As libélulas já me contaram a respeito... Quase morreu.
Não foi?
Chamou por sua Mãe. Chamou por seus amigos...
Falou que estava cansado de sua missão, de sua prisão.
Que não agüentava mais os rugidos dos homens, das blasfêmias...
Dos olhos maldosos... Das músicas feitas para a dança da carne.
As borboletas já me disseram tudo... Quase voltou...
Não foi?
Pois me preste bem à atenção, amigo... Está adoecendo sim, isso é inevitável para o nosso povo que convive por aí. Contudo, isso não lhe dá o direito de abandonar sua missão. Isso não lhe dá o direito de urrar como um urso faminto. Isso não lhe dará nada além da autodestruição.
Os morcegos já me confessaram... Sua sombra foi vista por aqui...
Não foi?
Acalme-se. Acalme-se... Entendo sua angústia, sua tristeza tão amarga que lhe enche o peito. Compreendo sua mágoa, sua solidão e sua incapacidade de confiar nos bípedes vestidos. Sim... Mas mostre-nos o porquê de ter sido você o enviado para sofrer como eles. Sofra... Chore... Mas nunca deixe de acreditar no amor que lhe sustenta...
Os vaga-lumes já lhe falaram isso... Sua sombra andou ausente daí...
Não foi?

Com votos de melhora, e desejos de Força e Vitória...

De seu eterno amigo:
M. Athair
“Ar na Unicorns”



CARTA 07

Dia de Chuva Fria, sob os sinos do invisível véu de estrelas da Terra.
Ano da Tartaruga... Terra.

Ao caro Mestre Athair. Pai dos Unicórnios.

  Acalentei-me estes dias de mim mesmo, para apaziguar suas preocupações. Fui, contudo, um tolo ao me exibir para as bruxas más dos ventos gelados da noite... Elas ainda perduram por estas bandas. Acredita? Pois bem, sem culpá-las – mas que fique clara a influência – tive recaídas desastrosas para comigo mesmo. Entenda que, para mim, tem sido mesmo difícil morar na Torre. Os Truks, ou Homens – como são conhecidos entre os próprios – ainda se ocupam na construção máxima. Há bastante trabalho, isto é, serviço escravo. Os Lordes Sombrios não se limitam mais às sombras, estão cada vez mais ousados, chegam à liberdade do dizer malévolo. Nem mesmo contestam os ataques dos rebeldes... Muitas notícias ecoam pelas milhões de Telas Refletoras pelo mundo todo. Falam sobre dominação em massa, controle total, “Nova Ordem Mundial...,” e ninguém parece se atentar realmente ao perigo.
  Mesmo entre os Truks, parece-me, inicia-se certa revolta e rebeldia, porém são inibidas e suprimidas através de idéias que as desvalorizam. Isso me corta o coração. As novas almas que por aqui surgem, já são moldadas ao sistema de construção da Torre desde os primeiros dias... Pelos próprios pais que, sem saberem, doutrinam e preparam as crias de modo a sobreviverem à ilusão geral. Se isso é bom ou ruim, está além de minha capacidade de julgamento.
  Todos dormem. Mas os Lordes seguem despertos propagando o trabalho inútil, em nome dos Sete Caminhos Tortos. Por isso a miséria geral segue em frente...
  Porém não são só eles os responsáveis. Eles encantaram a multidão com promessas de bem-estar. Prometem luxos e prazeres quase impossíveis em troca da mão de obra. Por isso a mesma multidão ajuda e luta em nome da Torre.
  Isso e muito mais veio a me calhar desagradavelmente à desesperança. Também o pessimismo no meu trabalho... Por isso quase forcei minha volta para casa.
  Não me arrependo, porém, não me orgulho do feito. Pois os pássaros, insetos, morcegos e demais não lhe mentiram. Foi verdade, até mesmo pude ouvir os bichos daí.
  Só lhe envio esta carta por consideração a sua preocupação e conselho. Mas não me entenda mal, a dor e o sofrimento daqui são realmente lancinantes. Quase insuportáveis. A confusão mental é muita e a desinformação, completa. Por isso não culpo a multidão enganada e dominada...
  Para resumir, é isso.
  Mande-me mais notícias suas, dos unicórnios que cuida... Dos silfos rebeldes e malandros... Sinto muitas saudades de todos. Estou me sentindo bastante sozinho aqui... Pode bem entender.
  Ah, antes que eu me esqueça, o sortilégio que depositou no envelope não teve efeito. A barreira que criaram contra feitiços aqui é bastante eficaz, desista. Não há mais lugar para magia aqui na Terra. Se me quer o bem, apenas palavras sábias passarão, e se estiverem disfarçadas como bem sabe fazer. Do mais, não se preocupe, já estou acostumado com a cinérea realidade destas paragens.

  Agradeço mais uma vez o contato.

  Atenciosamente, de seu eterno, sim, amigo:

  Rumpelstiltskin

Série: As Cartas

CARTA 03

Carta à Rainha Fada
 
Belíssima fada turva de volúpia íntima, com sua tão bela borboleta absurda, me ilustra lustrosa Lua... Ah! Planetas e cometas voam solitários no universo, deslizam-se para a boa ação em divinos versos. Já as pétalas nuas engolem-se. Cruzam-se íntimas. Vagas e cruas dançam-se, choram, satisfeitíssimas! Oh! Belíssima flor meiga, de seiva amarga de sabor doce... Afaga-me a perfeita saudade, de bem, já hoje! Soluça-me desejos e sonhos à noite que, sobre meu orgulho, mergulha oriunda, vinda de sua desejada floresta desabitada... Ora suas asas tremem após abraço ávido de lhe tocar as folhas sensíveis, ora se comprimem em volta de mim, sob a mata morna dos encantos que me insistem. Luto - em não perdê-la os olhos sonhadores - em meus sonhos. Então me deixo morrer de entorpecimento, alucinado e rendido, aos seus mais ternos lábios sagrados, eternamente apaixonados, por um duende falido.



CARTA 04

Carta à fada além do vale da Torre.
Dia de São Nunca, as vésperas da Festa Feliz.

Os longos uivos dos lobos me assustam, embora cantem para a Lua, seus olhos brilham no escuro. Eles enxergam as almas mais comuns, caçando o inimigo. Não me espantaria, entre tanto, se eles honrassem a Mãe, pois julgam mal seu opositor. Caçam mais sangue que carne, rosnam mais que latem. Não são cães... São lobos selvagens e famintos pela noite, revoltados com o mundo que criaram para eles. São forçados a serem o que são. Tenho medo sim. Sou apenas um duende velho, em crise. Sentiria muita fé se o que sinto, não fosse consequência dos Lordes do Poder.

Não se opõem ao meu livre pensar, mas me negam a minha razão com suas ações. Não só a mim... A todos. Porém, dizem alguns por aqui, no vale; “De que adianta se rebelar e não ter as mesmas armas? É um suicídio tolo e infantil... Acorde para o Muro, desta enorme construção. A terra eterna da pedra da escuridão. Não vê as fumaças pestilentas no ar? Não enxerga a água contaminada que bebemos? Se acuda. Rebeldia só te levará a amarga versão dos fatos. E isso, meu caro duende amigo, não lhe ajudará em nada, só o manterá, na temida e vasta, solidão!”

O que poderia dizer diante desta conclusão?
Estou preso, mas preciso do que eles querem; o papel de crédito da Torre.
Temos que alcançar o inalcançável céu. Temos que por esta Torre pra cima...
Não importa os vigias, não importa os traidores...

Mas não como estes lobos que me assustam... Não com selvageria...
Eu vi na bola, que se o mundo está acabando... Dizer isso, para todos, é querer o pior.
O arco-íris há tempo não aparece...
E os guardas querem saber da Planta. E outros acreditam na matança...
Irmãos inimigos de irmãos. Pai contra os filhos. Filhos contra os pais... Todos inocentes passivos diante do massacre comandado pelos Lordes Sombrios.
Alquimistas da ingratidão.
Gritam pela Boca da Mentira:
“Queimem eles, soprem depois. Esfolem-nos, por não cumprirem as ordens...!”
E os escravos batem palma...

Desculpe-me bela Rainha. Escondida és bela dita.
Foi-se minha razão com palavras duras já escritas.
Mas que me é árduo sensação de impotência...
Vou mesmo ter que florescer no barro...
Mande-me preces... Flores só no fim...
Até lá tenho muito que fazer e pensar.
Até lá vou tentar lhe dizer a respeito da multidão...
Mas não hoje, temos uma eternidade pela frente.

Com carinhos:
Rumpelstiltskin.


CARTA 05

Dia de Ópera Florestal, ano da Tartaruga Eterna, onde sobre seu casco, vive o mundo.
Ao meu carinhoso e melancólico Rumpel:

  Imaginava sensações suas trazidas pelos pássaros. Enviei-lhe então sobras de luz, daqui, para iluminá-lo nas sombras de sua prisão. Espero que tenha sido mais uma impressão exagerada, a minha, pois me custa saber de suas dores. Toca-me o coração, acostumado de ternura, banhado pela névoa que me cai aqui na clareira da emancipação.
  Sei que há alguém aí que poderia lhe libertar, mas sei também de sua postura; fria e protecionista. Seu medo dos humanos lhe causa dor, lhe suspende na poeira, mas lhe fere a pele verde delicada... Escute mais os bichos, estes nunca lhe abandonarão. Tenha fé em nossa Mãe. Gaia é generosa com seus filhos que, mesmo sob tortura, não Lhe negam a importância e sabedoria.
  Muitos de nós já fomos caçados e queimados no passado, desde quando os elfos partiram para bem longe... Afortunados foram eles.
Porém sua missão persiste. Tenha força e não se abandone. Um dia toda a loucura que esteja presenciando acabará. Verá! Voltará aos meus braços que tanto querem lhe afagar...
  Confesso, mas antes peço, que não se alarme, chorei-lhe cristais sob o salgueiro azul.
  Ainda lhe penso e lhe concebo.
  Ainda e eternamente serei sua fêmea...
  Suas cartas, a mim enviadas, pelos insetos coloridos que te visitam me chegaram a tempo. Continue a me relatar, se isso lhe anestesia as dores.
  O rouxinol me contou também que você, meu amado, anda mais triste do que nunca, que suas orelhas, embora não mais pontudas, estão a escutar demais. Os fantasmas da destruição estão a lhe importunar... Que os humanos seguidores dos Lordes Negros estão a lhe observar... Que suas mechas naturais estão crescendo, juntamente com sua mágoa por aqueles que as condenam...
  Não se retenha a isso. Lembre-se... “Somos crias do cosmos, somos filhos de Gaia, e sofreremos enquanto a mentira dos homens perdurarem”. Não lute contra, apenas observe e nos relate suas experiências. Tenha calma e não retorne até ter certeza de que está livre para isso. Ainda existem bons humanos, nunca se esqueça disso, é por eles que fazemos o que fazemos...
  Continue seu diário disfarçado. Continue... Aproveite da descrença dos inimigos e construa nossa arma contra a Cabeça de Ferro.
  O fogo terá seu fim um dia, e lá, só restará a chama da verdade...
  Não se precipite.
  Eu e os seus, o amamos.

  Com carinhos saudosos.

  F. Elmadrim
  “Sua Fada além do Vale.”

Anotação 05: Paradóxo. A Magia Para Escravizar quem Nela Não Acredita

Cartas Mágicas
São escritos/textos metafóricos. Cartas do ser interior do escritor destinadas para o ser interior do leitor, ou para um ser imaginário capaz de compreender o lamento... Por isso o pseudônimo Rumpelstiltskin... Algo difícil de ler e compreender, nome, também, de uma personagem de contos de fada. Assim, faço alusão à injusta fama que a magia verdadeira tem no mundo atual, a de algo inexistente e irreal, quase sempre associada a poderes escabrosos e imaginativos como: Levitação, tele-cinese, leitura de mente, previsão do futuro, bolas de fogo expelidas pelas mãos de “bruxos” e “magos”... A variedade é enorme. Isso tudo só tem um único objetivo: Difamar e desacreditar a Magia. Desviar a atenção das pessoas para outros valores, dessa forma, conquistá-las. Quando alguém acredita, por exemplo, no valor monetário de uma moeda corrente, ela está sob poder mágico daquele mesmo artefato... Traduzindo: O poder do dinheiro está, e mora, no conceito ou na possibilidade do seu ‘possuidor’ de conseguir o que deseja... O desejo particular, ou comunitário, dá poder ao artefato, isto é, quanto mais moeda tiver, maior a possibilidade de adquirir o que deseja e quanto mais gente acreditar nesse poder, mais ele se torna real. Porém essa lei só funciona se a maioria aceitar a idéia, onde o verdadeiro beneficiado é o produtor, ou mantenedor, do sistema monetário e da ideia do mesmo. Percebe-se? Ainda falamos de Magia. Real. Verdadeira e ainda presente na vida da maioria das pessoas no mundo inteiro. Por isso prega-se tanto a sua inexistência. As cartas mágicas tratam desse conceito...

Anotação 04: A Religião do Verdadeiro Cético

Religião e Crenças
Esse Blog não se trata de doutrina religiosa ou de alguma ‘crença’ baseada em mitos. O intuito é simples: expandir, compartilhar e concentrar conhecimento. Fazer pensar a respeito, de tudo. E guiar esses pensamentos e ideias para a Luz. Quero com esse Blog, criar um canal de sintonia com todos aqueles que buscam no estudo e na investigação intrínseca a resposta para suas dúvidas. Sem dogmas e preconceitos. É sabido, pelos sabidos, que quase nada em todas as religiões de massa é sustentável pela lógica, no entanto, poucos sabem que mesmo assim, essas mesmas religiões e crenças, possuem bases filosóficas autênticas e verdadeiras, ora se não mora aí o poder das mesmas de conquistar o coração da multidão. A questão é: O que procura o indivíduo? Deus? A verdade universal? Riqueza? Respostas*? Bem, isso seria um assunto extenso demais para essa ocasião, então devo me centrar no propósito desse texto, falar somente a respeito da filosofia desse Blog, de maneira mais sucinta possível. Deus possui várias definições, mas iremos considerar como sendo ‘Deus’ o nome dado a inteligência cósmica/universal. Pensando assim, pretendo respeitar e levar em consideração o maior número de concepções religiosas, e filosóficas, possível dentro da minha, ou nossa, capacidade intelectual. Não quero e nem pretendo ofender ou questionar seja qual for a religião ou filosofia científica, pelo contrário, me parece cabível justamente a união sensata dessas ideias humanas. É possível e sensato conceber, ou entender (-se) o Universo/Cosmo de maneira ‘religiosamente científica’, ou, ‘cientificamente religiosa’. Magia. ‘Tudo é luz’, segundo conceitos mais atuais da ciência contemporânea. Também possível de se afirmar o mesmo na maioria dos seguimentos religiosos; ‘Deus é Luz’. Ou a Luz a materialização de sua/Sua/nossa ideia, penso eu, e outros comigo. Uma ideia, em minha opinião, completamente concebível e lógica. Sem ferir minha inteligência ou fé. E é sobre esses conceitos que a maioria dos meus textos diz respeito em partes...

Série de textos: As Cartas

CARTA 01:

Dia de sol para todos nós às quando-puder-eu-faço, Mirilândia – Prosperandia

Ao amável Sr. Rumpelstiltskin Digo olá de cá de longe para tu Caro Rumpel. Com saudade espero visita sua para confabulações mais despertas. Mesmo também talvez, para um verde-espelhado chá matinal. Te ar refrescaria? Espero que sim seja bem dito daí. Embora estas sejam minhas vontades, o que quero mesmo com esta carta é lhe dar notícias de casa e opiniões a lhe enviar. Primeiro minhas gentis e singelas opiniões. Achei, por assim achar, que talvez pudesse ser mais claro aos meus olhos e cabeça sobre o objetivo destes seus textos e comentários esquisitos que figuram seu “blog”, o que quer com isso? Além do mais aos quais também percebi figurações e metáforas demasiadas. Precisava ser assim? E sem ser chato, mas insistente, até inconsistente, quero lhe propor o costume da clareza... Ser mais objetivo. Claro. Repetitivo apenas para certificações. Desculpe por, talvez, estar lhe causando embaraço, já que sei que irá postar esta carta, Duendes não mentem nem omitem respostas se perfeita for a pergunta. Mas não quero lhe somente cutucar, quero lhe afagar com notícias, como bem já lhe disse nesta carta. Fui promovido a Auxiliar de Leitor de Arco-íris aqui na vila. Minha mãe, sua prima, ficou muito feliz comigo. E fiquei feliz também por ela ter se alegrado como meu pai que sorriu luminosamente diante da vó, que me abraçou apertadamente e copiosamente até que o tio Glin a afastou para poder me dar um belíssimo aperto de mão sagrado, herdado como bem sabe, do vô, seu tio, o ancião mais amado depois de Anselmo, padrasto afastado de Amélialina minha mãe, que também estava aqui... Só as congratulações suas é que me faltam. Do mais quero lhe cumprimentar e parabenizar pela fidelidade ao povo, nunca se esquecera de quem é. Logo vejo! Como todos já comentam na vila... E notas sobre os Homens são de grande utilidade para nós daqui que vivemos além do portal... Aproveitando a chance do contato, queria também tirar uma dúvida contigo. É verdade que os homens não choram e que eles possuem coração de verdade? Vários abraços do seu primo Dispistiliken Antrovínio. Obs.: A Minha mãe está lhe enviando Mill beijos.

CARTA 02:
Algum dia do sul veraneio que resplandece o dia inteiro.

Data controle Truk: Em hora de Verão, seguindo por 18h10min do Dia Número 6 do Décimo - Primeiro Mês segundo a infantaria Cristã.

Olá primo Antrovínio.

Venha você me entender os motivos de não ter lhe enviado registros antes:
Antes os escritos estavam florescendo somente nos jardins de minha mente, que de repente, iluminou-se de sentimentos diversos. Floresceu a esperança, verde e rente ao solo fértil de idéias. Embora estivesse machucada. A tantos pesares que, ela, me arrastou na Terra... Pendurava-me de cabeça pra baixo e me apontava o céu, assim por mais que olhasse e procurasse, via tudo errado. Ah! Se eu já não soubesse que a morte do mundo está só na morte da mente...
Contudo o pântano findou e deu lugar ao ensaio que preparava e pretendia lhe enviar.
Foi difícil manter a sanidade vendo os Truks esmagarem tudo, achei que minha casa também ruiria.
Os gatos andam falando em revolução...
Pode crer?
Perceba que lhe envio esta carta meio a repressão do coração, do qual comentou contatos anteriores, lembra? Deve estar sim, espero. Sobre o fato dos Truks, ou Homens, possuírem coração e não chorarem... Confesso que cheguei a acreditar no contrário.
Bem, entenda que tudo na Terra é movido por Ela. Por mais que se brigue, Ela vence... Só está esperando a petrificação Truk acabar. As plantas voltarão...
Mesmo eles aqui já estão percebendo algo estranho no clima, digo na sensação de que se tem do Mundo. O Mundo dos Homens.
Estão como vapor preso no caldeirão da velha Clarissesbela aí da vila.
Possa você imaginar como tem sido este intercâmbio para mim.
Estou com medo... Mas tenho a coragem necessária para seguir até o fim de minha conta nestas terras.
Bem...
Tia Flora me enviou uma carta, pediu-me para não postá-la em lugar algum... Mas disse muita coisa... Disse que os povos daí já estão tendo contato com os de fora?! Achei um exagero... Falou que o sol lhes contou sobre o que está para acontecer na Terra. Que a Lua teve filhos. Que estrelas novas surgiram... E que as velhas morreram.
Os Truks estão começando a sentir ainda... Falta muita coisa acontecer para se tocarem. Mas estamos todos bem... Estes dias até voltei a ser picado por uma abelha, acredita? Elas andam bem magoadas com o comércio escravo. Fazer o quê...
Desculpe não prosseguir contigo, mas tenho muito que fazer ainda...
Vou tentar lhe escrever mais em breve...

Com amor de seu tio:
Rumpel...

Anotação 3: A Magia Real Vista por Irreal

Magia
Existem muitos conceitos sobre o que é Magia. Entre tanto se deve considerar um único, pelo menos, ao que diz respeito a esse Blog. Entenda-se por magia toda forma inteligente e lógica de perceber, interpretar, conceber ou manipular qualquer tipo de informação, seja essa visual, textual, musical, oral... A arte, no caso, em si mesma, concebe-se como um ato mágico, pois se estabelece como força mágica real devido à capacidade dinâmica de transformar uma idéia, ou a subjetividade, em algo absorvível por quase todos, mesmo aos menos atentos. Isso seria, nesse caso, uma réplica da atitude universal, criação /transformação e a de se auto-afirmar real mesmo em sua aparente caótica 'organização'. Toda concepção e aceitação dessa idéia primária, ou fundamentada em princípios lógicos e antigos, podem ser consideradas, aqui, magia. A habilidade de se ver, ou se entender, parte de uma energia universal também é magia. Para muitos que assim o fazem podem se afirmar possuidores de um campo de proteção mágica, ou círculo arcano. Mas a maioria prefere dar para essa habilidade o nome de ‘conhecimento’, que pode ser específico dependendo do propósito. Exemplo: Para cada tipo de assunto existe uma variada carga de informação, algumas verdadeiras, outras longe disso. Dessa maneira quanto mais conhecimento a respeito de um determinado assunto alguém tiver, maior vai ser o poder de seu círculo de proteção mágica, que repelirá as forças provenientes da ignorância, ou trevas, para os mais “encantados”. A luz do conhecimento (também real como sendo parte da mesma luz solar *, porém invisível) é que alimenta, ou dá forma e substância, a esses campos mágicos...

* ver: As Cores

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Imagem

Título: A Pequenina Lunática
D.: 80x80 (dimensão circular)
Técnica: Pastel sobre MDF
Autor: Suzo Bianco



  

Imagem

Título: Clara na Clareira
Dimensões: ~ 90x90 cm
Autor: Suzo Bianco
Técnica: Pastel sobre placa de MDF


 .

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Diálogo

A Conversa
 
A Estrela disse ao Sol:

Quando não se tem ninguém
Pra quem agente chora?
Quando nos calam
Quando nos falam
Pra quem agente implora?
Quando não se tem moeda
Pra quem agente pede?
Quando nos calam
Quando nos falam
Pra quem agente sede?

E o Sol disse para a Estrela:

Pra que agente chora
Quando não se tem ninguém?
Pra nos calar?
Pra nos falar?
Quando agente faz também?
Pra que agente pede
Quando não se tem moedas?
Pra nos calar?
Pra nos falar?
Quando agente tem goelas?

A Estrela então falou:

Pra que nos apontam
Se brilhamos tão bem?
Pra nos rirem?
Pra nos virem?
Estão-se sozinhos também?
Chegue mais longe
E os ensinará...

O Sol então respondeu:

Porque brilhamos tão bem
Se não podem nos apontar?
Pra nos rirem.
Pra nos virem.
Estão-se sozinhos também!
Chegue mais perto
E os entenderá...



suzo bianco

Lamento de um escravo ( Vida de Boi Marcado )

É tão lento andar por essa terra.
Passo descalço, dislexo...
Desacreditado por verdades mentirosas que não lubrificam minhas algemas.
É insosso caminhar com rumo.
Rumo de boi cercado. Desacreditado.
Passo pesado e vagaroso.
O Sol lá encima arde-me cá embaixo. Cabisbaixo rumo meu ruminante rumo de boi comestível.
Desacelerado por mim mesmo.
Sem pressa. Sem peso.
É tão lento andar por essa terra.
Calado e falante sem ouvinte...
Manipulado por mãos invisíveis e agourentas que não acariciam minha carne.
Insossa, caminhada com rumo.
Rumo de gado calado. Quieto e jurado.
Mas vem-me a fome. E de chão a alimento torna-se e entendo.
Pasto.
Eu pasto.
Terra.
Eu terra.
Um dia. Entedio-me.
E enterro-me.

suzo bianco

Tradução do ? para o Português

“...borbulhar barulhento do riacho violento, embrenhado bem no mato, flores foscas meios as robustas ostras, meio abertas, e sem pérolas, não calam o vento, que alentado, trás mais sons e cantos oriundos dos seres mágicos, sedutores, do coração do bosque verde do Dono Fauno encantado...”

 

Primeiro sopro ouviu-se:

“Querem tema para o poema.
Poesia temática matemática...
Poema não tem nenhum tema
Nem solução ou problemática...
Temática
Cartesiana
Poética!
Poetizando mecânica ela só tenta,
Sem conseguir fato, dizendo nada!”


Segundo pipilar distinguiu-se:

“...morri de medo quando nasci e chorei calado as minhas angústias, mas meu calor foi-me cobrado e meus pulmões ganharam ar nas alturas...
Eh...
Foi assim que aprendi a voar.”


Terceiro ronronar escutou-se:

“Meus olhos já não reconhecem nada...
Meus olhos só conseguem ver o Sol.
Refletido em cada coisa ao meu redor,
Enquanto à noite tenho somente a versão iluminada da Lua.
Permaneço-me cego.
No útero da Terra...
Vagante errante, desde cedo, nessa mística caminhada eterna...”


Quarto áspero chiado...:

“Faço poema difícil
No difícil fazer do fato
Fazendo-o por puro vício
O difícil é fazê-lo fácil!”


Quinto sinal metálico, do sino, veio:

“Você esnoba quem lhe gosta em segredo?”



suzo bianco

Conto: Fábula

A Cotia que Se Perdeu
 

Um dia uma cotia, no bosque, se perdeu.
Como pode bicho do mato, no mato, se perder?

Porém nesse dia, não só a cotia, como todo animal na mata se estranhou.
Algo que foi curiosidade para toda fauna, a própria fauna que não se entendia...
Ainda assim o Sol podia ser visto. Mesmo que em forma de inúmeros e tímidos raios que invadiam a mata até os arbustos lá embaixo. Onde bichos de todos os tipos se enxergaram diferentes.
Cada abelha, cada zangão, cada inseto voador, ou até mesmo aqueles, que seguiam compenetrados, vagando pelo o chão.
O cervo, o macaco, todas as lebres e coelhos, também lobos e gatos.
O jacaré esqueceu-se olhando para outros jacarés.
A cotovia admirou outras aves.
E o esquilo sorriu a outros escaladores.
Todo roedor estranhou roer.
Todo sapo coaxou esquisito.
E a cotia continuava perdida.
Perdida em seu bosque.
A procura de sua casa andava e caminhava.
Seguia a trilha meio a mata.
Andou e não parou até chegar à margem de um riacho, que serpenteava dentro do mato, vinda cachoeira rio abaixo...

Ali parou e na água límpida se olhou. Viu sua imagem modificada no movimento do riacho e se aquietou.

Um sabiá lhe assoviou e balançando as asas lhe cantou:

- Vá cotia, passe! Atravesse a correnteza, se não pudesse a coitada, não teria essa certeza!

A cotia então falou:

- Mas não tenho essa certeza e nem sei pra onde vou, fico aqui embasbacada ou sigo o rumo que cantou?

O passarinho então voou para longe da clareira, onde o riacho navegava-se, desviando-se de bobeira.

A cotia em fim suspirou convencendo-se capaz. E num pulo forte atravessou o caldo forte do riacho.

Doutro lado admirou-se tão valente e destemida, mesmo ali no bosque, mas solitária, andando bem perdida ainda.

Caminhou mais um pouco, subindo um morro entre as plantas. E viu libélulas avermelhadas... E camufladas eram as antas. Foi, foi e foi, até chegar rente ao barranco, que terminava o morro doutro lado, bem além do esperado.

Ali se estancou admirada. À sua frente bem ao longe podia ver outra montanha, tão verde e calma como aguardava, igualzinho como a Fada canta.

- Se não é pra lá que vou, bem pertinho do céu, lá no alto da montanha, onde as abelhas fazem mel. Que felicidade a minha insistir no meu caminho desencontrado, me levando ao meu destino, seguido passo a passo.

Então a cotia se reconheceu paciente de sua natureza, bicho feito e aperfeiçoado de ser ela mesma tão perfeita. A estranheza apenas estava no reconhecer-se desconhecido. Seria sempre tão bem admirada a ignorância do esclarecido?

Foi pensando nisso que todo animal voltou a ser o que era. Sem deixar de ser um momento, o que de veras veneravam. Parte nomeada do desconhecido, bicho entre bichos que lhe cercavam. Pois era, todos juntos, só um bicho, que às vezes se perdia na floresta encantada.

 
 
suzo bianco

Enigma texto: (...e foi dito que aquele - esse - texto havia sido escrito há muitos anos adiante, mas só muito tempo depois compreendi...)

Alarguei-me ao mundo. Hoje. Sou profundo.
Mergulho em fotografias de pessoas d’outro mundo...
Mundos longes de meu corpo, mas corpos de verdades,
Não combinam com meu gosto, nem conheço a lealdade.
Assisto-me assustado de contar-me todo e tudo.
Acesso, solitário, do meu quarto o passado e o futuro...
Quando éramos por todo lado desconhecidos e soturnos,
Quando éramos um só soldado e morríamos todo mundo...
Suzo Bianco

Poema e Enigma: Quem existe em/por quem?

Ande em mim.
Mas devagar.
Se não, não me entende!
Não me compreenderá...
Passe por mim atentamente
Olha pra mim... Lentamente.
Com calma e cuidado.
Com olhar adivinhador.
Compenetrado...
Devagar comigo...
E contigo.
Contudo leia-me sem pudor,
Mas respeite o que eu falo...
Pois te sou apenas poema
E tu testemunha do meu traço...

suzo bianco

Poema

Nuvens da Minha Imaginação...


Ah! São as nuvens todas iguais... Sendo todas, formas do que penso.
Nuvens, pra mim, são todas você...
Voadora onisciente de céu suspenso.

Hm! São as nuvens parte de mim...? Flutuantes todas de água no vento.
Onde lhe formo de corpo e rosto...
Amada e presente no meu pensamento.


suzo bianco

Anotação 02: Os Entes Encantados

Duendes, fadas e outros seres “mágicos”:
Alusão aos tipos diferentes de viventes do mundo. Isso pode incluir desde o(s) humano(s) e sua variada gama de personagens, como animais, plantas e outras formas de vida. Todas possuidoras de consciente divino, isto é, formas diferentes de manifestação inteligente do cosmo aqui na Terra. São usadas essas nomenclaturas para homenagear as antigas lendas e ao mesmo tempo justificá-las da maneira mais lógica possível. Também serve de crítica a maneira displicente dos humanos se julgarem únicas formas inteligentes do planeta. Algo que pessoalmente não acredito. Pra mim, e pra muitos, cada ser tem seu grau de percepção e contenção de sabedoria cósmica. Ninguém é mais ou menos que ninguém, o que muda é a forma e o tipo, não a importância. E quando digo alguém, ou ninguém, digo me referindo a ‘todos nós viventes da Terra’.
"Uma abelha é alguém, e vive em seu/nosso mundo, tanto quanto..."

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Anotação 01: sobre 'Cores'

As Cores: Poderia dizer mais sobre isso, porém tenho que me conter no foco desse Blog. É bem possível que a maioria saiba muito sobre (a) Luz. Ou a famosa luz solar que a todos nós ilumina. A bem conhecida luminosidade solar quase totalmente invisível (e só não o é completamente, porque podemos enxergar ou reconhecer uma minúscula fração, que chamamos de espectro luminoso. Ou ainda, as sete cores). Violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho (e seus tons), o branco luz é a junção delas e o negro a ausência. Esta pequena faixa reconhecível da luz solar nos dá a possibilidade de, quando refletidas pela matéria ao nosso redor e bem captadas pelo nosso sistema ocular, ver. Bem... Ver aquilo que nossa mente consegue perceber e conceber, mas isso seria outra história... Embora possa parecer apenas 'bonito', o uso das cores sobre o fundo negro em alguns 'posts' desse Blog metaforiza a habilidade de nossa mente conceber formas e formular informações, por mais que pareçam de início desconexas, usando apenas uma limitada informação luminosa (de cores), ou noção divina (interpretação dos reflexos), ou dê-se o nome que quiserem a essa condição... O importante é que a verdadeira informação sempre nos parece oculta... O que vemos é sempre uma pequena parcela do que, de fato, pode existir no Universo ao nosso redor, em todos os sentidos.
O que enxergamos é a junção de: Reflexo da matéria, sendo esse reflexo relativo à capacidade ocular do observador; Interpretação simbólica, ou seja, a informação que temos sobre o observado, o que significa; Interpretação intrínseca, aquilo que julgamos ser o observado, independente das informações que já temos a respeito do objeto de observação; Nome, a informação contida no nome/nomeação daquilo que é observado, levando em conta que a variação desse entendimento é proporcional ao quanto se sabe sobre o significado do nome. Ex.: Saber que tal coisa chama-se ‘pedra’ não necessariamente leva-se a crer que se saiba o que é.

Jocelyn Pook- Dionysus

Jocelyn Pook- Dionysus



Caso não esteja sendo possível a visualização, clique no primeiro link para ouvir a música de Jocelyn Pook.
Sobre essa compositora: http://www.jocelynpook.com/

Poema sobre a luta aparentemente infrutífera

PÉTALAS AO SOL
 
Pétalas pálidas, aqui?
Turvam-me flutuantes,
Todas girando perante
Ao Sol que laico nasci.
...
Pálpebras fracas eu vi?
Pareciam todas cansadas,
E choravam desanimadas
Pelas lutas lá entre si.
...
Póstumas eu logo senti...
Lotam-me pulso pelado,
Cortam-me dados pedaços
Carne fraca qual eu servi.
...
Posso eu fora daqui?
Me-creditaria o pudor,
Aprendiz sem um tutor
Se me deixasse feliz...
...
Pétalas palco as bati...
E de leito nelas deitei,
Deste lento acostumei
Minha falsa soneca atriz.
...
Pelo meu sonho morri?
Pois, não me lembro assim,
Lutei, minha luta, e vivi
Ao Sol que laico nasci.


Suzo Bianco
desenho sobre a 'precaução' e 'esperança'

Texto sobre a existência geral. Onde o real é o que se dá eterno, o si mesmo ciente, o irreal seria a mortalidade...

O Grande Sonho


Ah! Insanidade vem-me silenciosa, rastejante melindrosa cobra vaga e invisível que, do indivisível breu, reaparece-me mostrando-me seu reflexo incerto, para me balançar, fazer-me ver o que lá não está em Lá. Ahhh! Insiste-me a sussurrar. Derramando fúria muda de seu veneno que não entendo, mas compreendo, graças, sem graça, de minha mágica incapacidade capaz de escutá-la. Ouvi-la ardorosamente. Apaixonadamente preso às minhas loucuras imaginadas.

Brilhantemente flagrada imaginação materializada no meu quieto credo, quando a vejo. Ahhh! Insiste-me a cortejar-me contando com meus medos mais profundos, mais sofridos e agudos em Mi. E que para mim, o que está sendo assim tão vanglorioso oposto de meus quereres tão intensos. Tensos. Pasmos auditivos incompreensíveis a uma mente sã. Longe de meus desejos a vejo tomar forma fora de minha mente, alimentada por ela mesma; esta lesma escura oriunda de minhas fobias.

Fraturo meus conhecimentos e minhas interjeições. Trinco minhas libras emotivas.

Rasgar-me-ia com todo efeito, se isso me refizesse. Meus olhos já não me dão certezas.

Ah! Demência aparece-me surpreendente e ajuda-me manter-me vivo. Compreendido compreensível. Auxilia-me a viver dentro desta caixa sem fronteira para a loucura. Que cura a alma mais saudável graças a psicose.

Tenha dó de minha alma. Tenha dó em Dó. Ohhh! Limpa-me a poeira e a fuligem das juntas imundas, corrompidas por mim mesmo. Respeita-me a impotência de fugir da demência a mim conflagrada nesta grande piada divina. Influi-me opção nesta imensidão fantasmagórica da qual se disfarça a vida. Joga-me insensibilidade para suportar a hostilidade que minha alma impõe-me sem misericórdia.

O mundo me é são, mas somente, quando eu não estou. Louco, quando de não doido, me disfarço. Primeiro ao último ato. Bem alto em Ré. Ééééé! De ré olhando-me o passado como se lá, em Lá, pudesse eu encontrar respostas para meu futuro, se o futuro fosse assim, fácil de encontrar. Oh! Loucura astuta e rastejante errante.

Ah! Sim, em Si, se pudesse ser assim. Só o Sol, em Sol, urra para a eternidade que ri. Ihihihih! De mim... Enquanto doente fico tentando ficar saudável. Enquanto choro tentando sorrir. Enquanto trabalho tentando dormir. Enquanto falho tentando acertar... Acertar a calda da serpente louca e perigosa da verdade.

Verdade esta que desconheço por ser parte da mentira.

Mentira esta sendo a grande verdade da estúpida imperícia.

Faria melhor farsa se, sem disfarce, me destinasse tal máscara.

Em Fá. Ahhhh! Grita a insanidade perdendo força contra a escuridão de minha ignorante razão. São pensamento aparece-me tornando-me vão para a única escapatória deste mundo labiríntico.

E mais uma vez a mentira prevalece. Mais fácil de ser ‘entendida’, se tal palavra é a melhor alternativa de um possível adjetivo para isso. Sinto-me a matéria adormecer. Sinto meus dedos prenderem-se nas mãos. Sinto minha alma congelar-se dentro de minhas veias quentes. Sinto.

Ah! Loucura que me reaparece todos os dias quando volto a dormir. Meus olhos se abrem, os sons do mundo me chegam... Minha cabeça dói sonolenta enquanto suspiro profundamente e reconheço aquela canção infantil cantarolada por aquelas almas lá fora... Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si...

E me levanto de meu leito.

Torno a fazer parte do sonho comunitário. Um mundo intolerante e aterrorizador na maioria das vezes. Onde não só os desejos dos bons tomam forma, como os dos perversos ganham força. Onde não somos nada além de uma insignificante voz sem personagem e peso, onde somos esquecidos por nós mesmos diante das pavorosas insanidades dos demais... E da reação de nossas próprias por estas condições.

Mas me acalmo, pois estou louco como todos, e voltarei a descansar a noite, no mundo real. Com paz e segurança, sobriedade e lucidez. Onde apenas o meu universo existe.


Suzo Bianco

Texto sobre a percepção do ser ao notar a si mesmo, como unidade e como parte de um organismo único.

Oceano Profundo ( onde oceana-se nós mesmos )


“Num oceano de mim mesmo pude mergulhar até o fundo, seguindo-me, olhando-me...
E na mais profunda e densa imersão eu vi, mergulhados e assustados, meus olhos...
Olhando-me.
Num ímpeto repentino desesperado, eu inundado até os ossos, segui-me e vigiei-me.
Percebendo outros eus, mergulhados e assustados, outros olhos que estavam fitando-me... Fitando-me...
No fundo, desse mais fundo, profundo, mergulhados num abismo, meus olhos... Olhavam-me... Molhavam-me... Mergulhavam-me... Vendo-me, fitando-me fitando-os assustados... Em mim.
Oh. Quantos olhos eu podia ver, quantas vistas eu podia ser, em quantas brisas podia me ir sem que eu deixasse de estar mergulhado, bem no fundo, daquele oceano abissal, colossal, infernal... Que me olhava.
Num oceano de mim mesmo eu pude me ver até o fundo, chorando-me, rindo-me, crescendo-me e perdendo-me para outros olhos que me choravam, riam-me, cresciam-me e perdiam-me, novamente, para mim mesmo.
Oh. Quantos eus eu podia ser, quantas missas podia ter, em quantas brisas podia ficar-me sem deixar-me permanecer...  Mergulhado bem no fundo daquele oceano, admirável, encantado, celestial... Que me vigiava.
Num encarar de mim mesmo, vi outros olhos, outras faces, outros rostos, outros modos, que há muitas eras se dividiram em outros e em diferentes olhares que choravam, riam, cresciam e também se perdiam, novamente, para eles mesmos.
Percebiam outros eles, mergulhados e assustados, outros olhos que estavam fitando-se... Findando-se magoados de terem sido tão desleixados em não se terem percebidos até então, mergulhados neles mesmos, ao meu lado. Onde profundamente me fitavam assustados, lendo eles mesmos enquanto liam sobre mim. Ouviam-se enquanto me ouviam falando sobre eu mesmo, eles percebiam-se olhando outro, enquanto se olhavam ao fitarem o que pensavam sobre mim... E descobriam-se parte de um oceano profundo, onde olhos se olhavam, onde eu me via neles e eles se viam em mim.
Oh... Quantas lágrimas eu chorei por aqueles olhos, esses olhos, meus olhos... Só. Quantas lágrimas... Quantas lágrimas... Tantas que entendi do que eram feitos os olhos, o oceano, que desesperado e perturbado, naquele momento, me perdi...”


Suzo Bianco

Poema sobre o Trabalho de "Pesquisa"

Sem Originalidade


Cada letra é cópia
Remedo remédio
Repetindo
Nada original...
Imitando...
Ressoando
...e ribombando.
Estalando significado
Codificando idéias
...expressando atos.
Cada som significando a vontade, à vontade...
Desse modo de que servem as letras
Se tudo que quero dizer,
Para mim e para outros,
                                                  ...é novidade...
?



s.bianco

Texto sobre a visão e entendimento do que nos cerca.

O Calidoscópio Encantado
 
   É ainda bem estranho refletir sobre os tempos, como se os mesmos não fluíssem a minha volta, como uivos invisíveis soprados por algo que desconheço, e não obstante, faço parte. É mesmo assim esquisito não querer outra coisa além de saber o que é... Para ver se os gatos dos meus sonhos só existem lá... Famintos andarilhos que me observam atentos, como se eu fizesse parte daquele mundo indistinto. Não diferente daqui...
   Aonde insetos luminosos desconhecidos voam e flutuam rente a luz eterna da perpétua alvorada.
   Mas quando nasci o mundo todo era pra mim um calidoscópio encantado. Quanto mais o mexia e o tentava tocar, mais ele se misturava em si mesmo e se diferenciava aos meus olhos ingênuos e atentos... Ainda hoje é assim.
   É como se fosse um eterno acordar de um sonho estranho onde tento constantemente entendê-lo, enquanto o tempo voa a minha volta soando-me como uivo soprado por algo que desconheço. E também o canto à parte.
   É ainda bem esquisito não ser diferente de todos ao meu redor, que adormecidos caminham rumo ao ignorado fato que junto tememos tanto... A luz eterna da perpétua alvorada.
   Mas enquanto crescia eu descobria os nomes das inúmeras manchas do calidoscópio mágico, suas regras, seus sons, suas metas e seus sonhos... E mesmo que eu fosse um adormecido observador, eu também, daquilo tudo, fazia parte. À parte.
   Aonde peixes voadores expelidos pela boca grande do oceano de loucuras alcançavam o céu. O mesmo mundo que me abrasa com a solidão, e eu imerso dentre tanta solidez.
Agora eu entendo...
Não entendo nada.
Perfeitamente nada.
Como o mundo todo entende... Que pra se acontecer no fundo desse oceano louco, bastamos ser como aqueles peixes voadores dos meus sonhos, não nos é preciso entender absolutamente nada...


Suzo Bianco

Poema sobre Auto-imagem

Perplexo Reflexo

Reflexo perplexo
Complexo
Reflete-se ego
Convexo
Sem nexo
Espelho que vejo
Não me vejo
O reflexo...
Eu o vejo
Eu me vejo
Sou côncavo?
Sou reflexo?
Reflito...
Reflete-me o ego?
Refluxo terno
Reflito sobre meu reflexo
O espelho não me reflete
Ele não reflete
Sobre o que reflito
E sou o que reflito
Mais que meu reflexo
Sem nexo
Complexo
Convexo
Ao qual agora converso
Em verso
Avesso
Ao inverso pretexto
De ser previsto
Refletido
Reflexo
Do qual sou incapaz
De me refletir
De refletir...
Por inteiro
Completo...



Suzo Bianco