Sobre esse Diário


*Esse Blog é destinado àqueles que sentem o mundo “invisível”.
*Esse Blog é um diário de um homem comum que se permite pensar sem se importar com o persistente sistema de referência que poderia impedir o verdadeiro pensamento livre.
*Esse Blog tentará ligar o comum ao incomum, tentará desmistificar o místico, sem que este perca seu teor maravilhoso.
*Esse Blog não tem a intenção de esclarecer, mas de fazer pensar; com isso, tornar possível o ato do ‘questionar o aparentemente óbvio’.
*Esse Blog é um conjunto de textos e imagens variadas com o intuito de ilustrar uma idéia mais intrínseca no que se refere à existência. Contudo não é a intenção do autor ter a prepotência de afirmar definitivamente nada que corresponda a tudo que possa se referir ao ato de existir, viver, pensar ou crer. A intenção é unicamente divagar sobre esses mesmos temas, de modo que se possa levar ao ‘pensar livre’.
*Cada texto e ilustração aqui postados são de autoria de Suzo Bianco, e tem o intuito de relacionar ou expressar conceitos do que é denominado ‘mundo invisível’. Mundo invisível, nesse caso, é a realidade primária, aquela que é confundida com o que ‘não existe’ ou ‘fantástico’. Trata-se, no entanto, de perspectiva diferenciada. “Ver brilhos nas folhas, ao invés de ‘apenas’ orvalhos.” Mesmo sabendo do que são feitos ou como são formados.
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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Série: As Cartas

CARTA 09

Dia de ar seco pós-pó de qualquer terra. Sob teto da Torre que quer crescer, mas não pode. Terra Baixa.

À minha eterna amada Fada, mais uma vez.

  Quem me dera, agora, tivesse lhe enviando notícias boas sobre minha saga, desde já lhe confesso insatisfação com as necessárias palavras que lhe envio. Quero compartilhar contigo pensamentos nebulosos que me assombram nestes tempos recentes, desta minha louca sanidade...
  Como bem pode conceber, a força mágica vem diminuindo com o passar dos dias, imagino que tenha ligação direta com a destruição das fontes sagradas. Que Gaia esteja doente, não é novidade, mas estou começando a perceber que minha energia tem relação com a mesma força... Isto é, Gaia chora, e eu sinto. Não sozinho, claro, mas estou de aviso.
  O ar segue seco e venenoso, a água sem os sais...
  Poderia lhe falar sobre tudo que está ocorrendo por estas paragens, mas seria desnecessário, pois já é de conhecimento geral a doença da terra. O que quero de fato relatar é sobre uma carta que, me vendo obrigado, enviei para o Obscuro.
  Ele me mandou um bilhete desorientador... Acho que bem sabe qual me refiro.
  Então, escrevi de próprio punho - usando de tinta viva, de acordo com as normas de proteção mágica – uma carta de resposta. Envelopei-a com papel de madeira vermelha e selei com cera de prata. Joguei no bueiro mais profundo que pude encontrar sem ninguém como testemunha, como reza a regra.
  Agora, que o que escrevi tenha efeito...
  Abaixo segue cópia do texto endereçado ao Obscuro, para que minha amada possa servir de avisada e averiguar meus intentos:

“Ao jorrado desaforado aproveitador das mentiras tortas da crosta morta. Segue-lhe ingratamente o presente afeto recíproco de injurias suas. Palavras foram-me endereçadas com propósitos tuberculosos, fumacentas e nebulosas, sujas de risadas ásperas provavelmente remanescentes de quando foram riscadas. Então para sua entidade sombria e desumana, aponto-lhe estes crentes traços codificados.
Nunca terá força contra ouvidos atentos e mente aberta, nunca seu veneno terá efeito contra o sangue em mim verdadeiro. Entre as sementes de intento fantástico, mora-me a verdade, entre os erros de meus defeitos, fala-me a cicatriz da aprendizagem. Seu poder está na retórica aprendida e sustentada apenas na habilidade de proteger suas mentiras e enganos. Não é senhor divino, e não carrega o hábito sagrado do natural como quer parecer, é artificial do inicio ao fim, o que vem de sua sombra, antes veio de outros envergados. Mal educados que acreditam saber de algo por carregarem uma estante de ‘outras verdades’.
Estou seguro na informação de fato, naquela que me chega naturalmente, tanto que me dá forças contra sua língua invejosa. Venha com seus grimórios das sombras, e lhe irei com meus livros da vida. É filho da mentira e se perdura na lamúria, sibila entre as frestas da Torre, mas não se dá conta da derrota. E também saiba... Os filhos de Gaia falam entre si, sim, em língua comum, silenciosa para os ouvidos mortos seus e daqueles que os seguem, cientes ou não. Então, abstenha de seus ataques. Pois minha morte já é certa, já estou condenado a me formar inteiro e onisciente imerso em cosmos como os outros antes de mim.
Que sua prisão incrustada no fundo das ignorantes almas sujas se perpetue.
Com muito amor, contra seu desamor, eu, para você, Senhor.”

  Queira livrar-se desta carta depois de lê-la, não se deixe contaminar com o saber destes bilhetes.  Amo-te demais, não quero vê-la triste. Porém...
  Estou no meu limite...
  Faça de suas orações minhas verdades, para que minhas rezas se tornem realidade.


  Com amor.

  Rumpelstiltskin



CARTA 10
                
Dia de Pétalas Caídas. Além do Horizonte, Floresta Esmeralda.
Ao meu amado Rumpelstiltskin

  Feche os olhos e perceberá a infinita luz de vórtice que mergulha nossa alma eterna. Lembre-se de seu caminho além da ilusão da Terra Baixa. É seu dever cumprir este caminho para se ter valor do mundo pós-estudo. Sabe bem disso...
  Recebi sua última carta desta época. O que lhe posso dizer é que me assusta seu medo. Confesso que já se passaram centenas de anos desde minha formação, então me é custoso lembrar-me de como pode ser dolorosa a vida aí... Retifico: Tenha calma, perseverança e coragem. Acredite! Tudo isso passará.
Fiquei espantada com a tentativa do Obscuro em lhe fazer desacreditar em sua luta e me orgulhei ao ver que não demorou em respondê-lo a altura. Pois fizeste bem.
  Sei também que seu diário pode cair em mãos alheias, já que ele se encontra perdido de você mesmo até então. Não se espante, há de ser bom isso. Não duvidemos das intenções do destino. Só lhe peço que não pare de escrever jamais...
  Esta primeira parte de seus escritos e rascunhos está terminada, mas logo dê conta de uma continuação, ainda existem muitas coisas a serem esclarecidas.
  As quatro matérias primas ainda giram para formarem o único tudo. Tenha fé em sua importância.
  Esconda o melhor que puder os segredos que lhe protegem, não revele demasiados fatos mágicos. Isso é um aviso. Cale-se...
  Quando se sentir vazio e abandonado lembre-se de quem realmente é: Filho material de Gaia. Irmão de todos os bichos e inimigo do vazio. Fortifique-se nesta idéia real. Unifique-se na energia geral e universal do ‘estar e perceber-se’. Não se sinta preso pela carne, ela é sua casa até então, o que lhe protege do nada neste mundo baixo. Aprenda com os outros, ouça mais e faça mais. Aplique o verbo para ele não perder a faculdade proferida. Não desanime.
  Termine por aqui esta coleção de escritos e desenhos. Dê limite para criar a forma encantada, se não, perder-se-á para o confuso e incerto...
  Agora, falando de nós mesmos...
  O pai dos unicórnios me visitou e conversamos muito a respeito de você. Estamos contentes ao saber de sua manutenção de espírito, porém ambos concordamos que há um perigo real nisso. Existem muitas almas baixas na Terra Baixa, elas podem oferecer alguns empecilhos na sua total qualidade de vida mortal. Então, lhe desejamos cautela. Não obstante, perseverança, como bem já lhe disse.
Seu primo Dispistiliken Antrovínio também tem me visitado, trazido notícias da aldeia dele e de seus parentes, estão todos bem. Apenas para seu conhecimento.
  Desejamos todos que você não desista. A vida pode ser bela e maravilhosa se tiver esforço nisso.
  Um dia nos veremos juntos, até lá, lhe enviamos votos de amor e coragem.
  Nunca se esqueça:
  “Uma ilusão de ótica não significa que não seja verdade. Tudo que se aprende é de útil aplicação. Siga a luz e fuja de falsos profetas. Seja livre pelo menos em seu coração. Ame mais e odeie menos. Tenha fé em seus cumprimentos. Chore quando possível e sorria quando quiser, ouça a música do mundo, e aja como um oboé.”

Amamos-te muito, e sabemos de teu amor por nós.
Com carinhos sinceros:

R.Fada Elmadrim

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