Sobre esse Diário


*Esse Blog é destinado àqueles que sentem o mundo “invisível”.
*Esse Blog é um diário de um homem comum que se permite pensar sem se importar com o persistente sistema de referência que poderia impedir o verdadeiro pensamento livre.
*Esse Blog tentará ligar o comum ao incomum, tentará desmistificar o místico, sem que este perca seu teor maravilhoso.
*Esse Blog não tem a intenção de esclarecer, mas de fazer pensar; com isso, tornar possível o ato do ‘questionar o aparentemente óbvio’.
*Esse Blog é um conjunto de textos e imagens variadas com o intuito de ilustrar uma idéia mais intrínseca no que se refere à existência. Contudo não é a intenção do autor ter a prepotência de afirmar definitivamente nada que corresponda a tudo que possa se referir ao ato de existir, viver, pensar ou crer. A intenção é unicamente divagar sobre esses mesmos temas, de modo que se possa levar ao ‘pensar livre’.
*Cada texto e ilustração aqui postados são de autoria de Suzo Bianco, e tem o intuito de relacionar ou expressar conceitos do que é denominado ‘mundo invisível’. Mundo invisível, nesse caso, é a realidade primária, aquela que é confundida com o que ‘não existe’ ou ‘fantástico’. Trata-se, no entanto, de perspectiva diferenciada. “Ver brilhos nas folhas, ao invés de ‘apenas’ orvalhos.” Mesmo sabendo do que são feitos ou como são formados.
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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Conto: Fábula

A Cotia que Se Perdeu
 

Um dia uma cotia, no bosque, se perdeu.
Como pode bicho do mato, no mato, se perder?

Porém nesse dia, não só a cotia, como todo animal na mata se estranhou.
Algo que foi curiosidade para toda fauna, a própria fauna que não se entendia...
Ainda assim o Sol podia ser visto. Mesmo que em forma de inúmeros e tímidos raios que invadiam a mata até os arbustos lá embaixo. Onde bichos de todos os tipos se enxergaram diferentes.
Cada abelha, cada zangão, cada inseto voador, ou até mesmo aqueles, que seguiam compenetrados, vagando pelo o chão.
O cervo, o macaco, todas as lebres e coelhos, também lobos e gatos.
O jacaré esqueceu-se olhando para outros jacarés.
A cotovia admirou outras aves.
E o esquilo sorriu a outros escaladores.
Todo roedor estranhou roer.
Todo sapo coaxou esquisito.
E a cotia continuava perdida.
Perdida em seu bosque.
A procura de sua casa andava e caminhava.
Seguia a trilha meio a mata.
Andou e não parou até chegar à margem de um riacho, que serpenteava dentro do mato, vinda cachoeira rio abaixo...

Ali parou e na água límpida se olhou. Viu sua imagem modificada no movimento do riacho e se aquietou.

Um sabiá lhe assoviou e balançando as asas lhe cantou:

- Vá cotia, passe! Atravesse a correnteza, se não pudesse a coitada, não teria essa certeza!

A cotia então falou:

- Mas não tenho essa certeza e nem sei pra onde vou, fico aqui embasbacada ou sigo o rumo que cantou?

O passarinho então voou para longe da clareira, onde o riacho navegava-se, desviando-se de bobeira.

A cotia em fim suspirou convencendo-se capaz. E num pulo forte atravessou o caldo forte do riacho.

Doutro lado admirou-se tão valente e destemida, mesmo ali no bosque, mas solitária, andando bem perdida ainda.

Caminhou mais um pouco, subindo um morro entre as plantas. E viu libélulas avermelhadas... E camufladas eram as antas. Foi, foi e foi, até chegar rente ao barranco, que terminava o morro doutro lado, bem além do esperado.

Ali se estancou admirada. À sua frente bem ao longe podia ver outra montanha, tão verde e calma como aguardava, igualzinho como a Fada canta.

- Se não é pra lá que vou, bem pertinho do céu, lá no alto da montanha, onde as abelhas fazem mel. Que felicidade a minha insistir no meu caminho desencontrado, me levando ao meu destino, seguido passo a passo.

Então a cotia se reconheceu paciente de sua natureza, bicho feito e aperfeiçoado de ser ela mesma tão perfeita. A estranheza apenas estava no reconhecer-se desconhecido. Seria sempre tão bem admirada a ignorância do esclarecido?

Foi pensando nisso que todo animal voltou a ser o que era. Sem deixar de ser um momento, o que de veras veneravam. Parte nomeada do desconhecido, bicho entre bichos que lhe cercavam. Pois era, todos juntos, só um bicho, que às vezes se perdia na floresta encantada.

 
 
suzo bianco

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